Elefanta carrega filhotes mortos de outras mães após perder o próprio
Uma elefanta do deserto da Namíbia foi fotografada carregando um filhote natimorto durante horas. O registro feito pelo fotógrafo Federico Veronesi recebeu o primeiro prêmio do concurso Fotógrafo da Vida Selvagem do Ano de 2026, promovido pelo Museu de História Natural de Londres. A cena chamou atenção inicialmente como um possível episódio de luto, mas pesquisadores identificaram que o filhote não era da fêmea que o transportava.
Christin Winter, diretora de programas de conservação da organização Elephant Human Relations Aid, disse à BBC que a elefanta perdeu seu próprio filhote dois anos antes. Desde então, ela teria sido observada carregando filhotes natimortos de outras mães em quatro ocasiões. A especialista afirmou que este é o primeiro registro documentado desse comportamento na região.
O fotógrafo acompanhava uma manada no leito seco do rio Huab em setembro de 2025. Ele relatou que a fêmea levava o filhote pela tromba e, em alguns momentos, parava para comer ou beber antes de retomar o percurso. As imagens não permitem, por si só, determinar o que o animal estava sentindo ou por que repetiu a ação.
Winter sugeriu que o comportamento poderia estar relacionado a algum tipo de processamento emocional, mas a causa permanece em aberto. A hipótese de que a elefanta estaria tentando se reconectar com a própria perda foi apresentada como interpretação, não como conclusão comprovada. O caso oferece material raro para observar respostas sociais de elefantes diante da morte, sem transformar uma observação individual em regra sobre todos os animais.
A reportagem contextualiza o episódio com a complexidade das relações entre elefantes e com os desafios de estudar comportamento em vida selvagem. Registros de campo dependem de observação prolongada e não substituem estudos comparativos. A imagem premiada ajuda a documentar uma conduta incomum, mas especialistas ainda precisam reunir evidências para entender suas causas e frequência.