SUS e NHS enfrentam filas e desigualdades apesar da cobertura universal
SUS e NHS, sistemas públicos de saúde do Brasil e do Reino Unido, foram criados com a proposta de oferecer atendimento universal, mas enfrentam dificuldades para garantir acesso e qualidade semelhantes a todos os pacientes. Uma reportagem da BBC News Brasil ouviu a médica brasileira Ana Luíza Gibertoni Cruz, que trabalhou na atenção primária do SUS e hoje atua em um hospital de Oxford, no NHS.
A profissional associa a crise britânica a mais de uma década de restrição de investimentos, aumento da demanda e envelhecimento da população. As pessoas vivem mais, mas também passam mais tempo com doenças crônicas, o que eleva a necessidade de acompanhamento e tratamento. O governo britânico lançou em 2025 um plano de dez anos que prevê deslocar parte dos atendimentos de hospitais para comunidades, acelerar a digitalização e ampliar ações de prevenção.
A reportagem destaca que ambos os sistemas lidam com filas, falta de profissionais e desigualdades regionais. No Reino Unido, os serviços de saúde são organizados de forma descentralizada entre Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte. Dados citados na matéria mostram diferenças de financiamento e desempenho; em setembro de 2025, a lista de espera para tratamento eletivo na Grande Manchester era oito vezes maior que a registrada na Cornualha e nas Ilhas Scilly.
A experiência da médica em Oxford também ilustra que as condições locais variam dentro de um mesmo país. Ela reconhece que trabalha em uma região relativamente privilegiada e diz perceber diferenças no perfil dos pacientes e nos problemas que chegam ao hospital. Especialistas ouvidos pela BBC afirmam que a comparação entre sistemas pode ajudar a antecipar desafios comuns, sem significar que um modelo possa ser copiado integralmente pelo outro.
As dificuldades envolvem tanto ampliar recursos quanto administrar os fundos disponíveis e organizar a porta de entrada do atendimento. A matéria é uma reportagem comparativa e não uma avaliação definitiva de qual sistema é melhor. Diferenças de população, financiamento e organização institucional precisam ser levadas em conta ao discutir as lições que o Brasil poderia extrair da experiência britânica.