Chiaki Ishii, pioneiro do judô brasileiro, morre aos 84 anos
Morreu Chiaki Ishii, primeiro judoca brasileiro a conquistar uma medalha olímpica. O atleta entrou para a história ao ganhar o bronze nos Jogos de Munique, em 1972. Um ano antes, havia conquistado o bronze no Campeonato Mundial de Ludwigshafen, na então Alemanha Ocidental, o primeiro pódio do Brasil na competição. A Confederação Brasileira de Judô e o Comitê Olímpico Brasileiro destacaram sua trajetória.
Nascido em Ashikaga, no Japão, Ishii chegou ao Brasil em 1964, aos 22 anos. Ele havia perdido a seletiva japonesa para os Jogos daquele ano e veio ao país em busca de novas oportunidades. Trabalhou inicialmente como agricultor em uma colônia japonesa em Presidente Prudente, no interior paulista, mas voltou aos tatames. Em 1969, naturalizou-se brasileiro.
Além das conquistas mundiais e olímpicas, Ishii venceu quatro vezes os Jogos Pan-Americanos. Sua contribuição continuou após a aposentadoria como atleta: na academia que manteve na Lapa, em São Paulo, formou e influenciou judocas que seguiram no esporte. Entre os atletas que reconhecem a importância de sua geração estão medalhistas olímpicos como Walter Carmona e Rafael Silva, conhecido como Baby.
A trajetória também alcançou sua família. As filhas Tânia Chie Ishii e Vânia Yukie Ishii seguiram no judô e representaram o Brasil em diferentes edições dos Jogos Olímpicos. Em 2023, o pioneiro recebeu o Troféu Adhemar Ferreira da Silva, reconhecimento concedido a atletas que construíram legado duradouro.
A morte de Ishii foi recebida como a despedida de uma referência esportiva cuja importância ultrapassa o quadro de medalhas. Ao competir internacionalmente e depois formar novas gerações, ele ajudou a estabelecer o judô brasileiro. A confederação afirmou que sua história permanece na modalidade e nos atletas que tiveram contato com seus ensinamentos.