Fundo Amazônia investe R$ 147,6 milhões em monitoramento por satélite

O Fundo Amazônia aprovou R$ 147,6 milhões para desenvolver uma plataforma de monitoramento da vegetação natural que será executada tecnicamente pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. O projeto SIM-Biomas pretende integrar dados do Prodes e do Deter e usar ferramentas de inteligência artificial para produzir informações mais frequentes sobre desmatamento, degradação e áreas queimadas. O apoio é não reembolsável e prevê execução ao longo de cinco anos.
O que os sistemas medem
O Prodes calcula taxas anuais de desmatamento a partir de imagens de satélite, enquanto o Deter gera alertas que podem apoiar ações de fiscalização. Eles têm funções diferentes: o primeiro consolida estimativas de perda florestal; o segundo busca indicar áreas que demandam atenção mais imediata. Integrar as bases pode facilitar a comparação entre períodos e orientar equipes públicas, mas o alerta remoto precisa ser confirmado e convertido em ação de campo.
Expansão para outros biomas
O plano prevê ampliar a cobertura do Deter para Caatinga, Mata Atlântica e Pampa. Também pretende melhorar o mapeamento de áreas queimadas, com resolução mais detalhada fora do Cerrado, além de criar indicadores de risco de curto prazo. A proposta não substitui a fiscalização, a proteção territorial ou a prevenção local; oferece ferramentas para detectar mudanças e organizar prioridades. Nuvens, características do terreno e acesso às áreas podem influenciar a observação por satélite, por isso os dados precisam ser interpretados com metodologia explícita.
A iniciativa liga pesquisa científica a políticas públicas: dados mais frequentes podem ajudar a planejar fiscalização, prevenção de incêndios e apoio a comunidades. O financiamento do Fundo Amazônia, gerido pelo BNDES, não significa que a tecnologia já esteja plenamente em operação; a plataforma será desenvolvida durante o projeto. O resultado dependerá da qualidade dos dados, da transparência das métricas e da capacidade dos órgãos de responder aos alertas. Fontes: INPE e BNDES.
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