Brasil sobe no ranking de pesquisas clínicas após novo marco legal
O Brasil ganhou espaço no cenário internacional de pesquisas clínicas depois da aprovação de um marco legal próprio para o setor. O país passou da 18ª para a 12ª posição no ranking mundial entre 2025 e o primeiro semestre de 2026, segundo dados apresentados pela Agência Brasil. O avanço ocorre em um contexto de revisão das regras para pesquisas com participantes humanos e de maior interesse de empresas e instituições em conduzir estudos no país.
A Lei 14.874 foi aprovada em 2024 e recebeu regulamentação em 2025. O novo arranjo define atribuições para comitês de ética e para a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, além de estabelecer prazos de análise. A expectativa é reduzir incertezas e tornar mais previsível a avaliação de protocolos, sem eliminar a revisão ética e sanitária exigida para proteger voluntários.
O que muda para os estudos
Uma pesquisa clínica testa intervenções de saúde em etapas, com acompanhamento de segurança e resultados. O processo envolve pesquisadores, instituições de pesquisa, patrocinadores e participantes. A legislação prevê análise ética em até 30 dias úteis e análise da Anvisa em até 90 dias úteis, conforme o tipo de procedimento e as condições aplicáveis. Esses prazos podem contribuir para planejamento, mas não substituem a análise técnica de cada estudo.
A Interfarma estima que o Brasil poderá chegar à décima posição e associa a expansão a investimentos anuais superiores a R$ 2 bilhões. A projeção é uma expectativa do setor, não um resultado já alcançado.
Desafio é transformar potencial em acesso
O país reúne universidades, hospitais, diversidade populacional e equipes de pesquisa capazes de conduzir estudos em diferentes áreas. Ainda assim, a colocação no ranking, por si só, não garante que os estudos sejam distribuídos de forma equilibrada pelo território ou que novos tratamentos cheguem rapidamente ao sistema público.
A aplicação do marco legal será acompanhada por pesquisadores, comitês e participantes. Transparência sobre recrutamento, consentimento, eventos adversos e publicação de resultados continua central. O crescimento sustentável depende de combinar agilidade administrativa com proteção dos voluntários e capacidade de pesquisa nas instituições brasileiras.