Violência política antes da eleição é a maior da década, aponta estudo

A violência política registrada no período que antecede as eleições foi a maior da década, segundo levantamento que chega à quarta edição. Em 96,3% dos episódios, a vítima ocupava cargo eletivo.
O recorte que chama atenção
As mulheres foram alvo de metade (50,6%) de todos os casos — embora ocupem apenas cerca de 18% das cadeiras legislativas do país, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral.
O tipo de violência também muda conforme o alvo:
- violência física (agressões, atentados, assassinatos): 77,2% dos casos têm homens como alvo
- violência simbólica (ameaças e ofensas): atinge mais mulheres (58,3%)
- ameaças de violência sexual (31 casos) e comentários sobre corpo e aparência (67 casos): 100% contra mulheres
O que dizem as pesquisadoras
Para a coordenadora de incidência política da ONG Terra de Direitos, Gisele Barbieri, o quadro ameaça não só a vida de quem exerce mandato, mas a sustentabilidade do regime democrático.
“A violência política contra as mulheres é sistêmica e evidencia o quanto o nosso sistema democrático impede o acesso das mulheres aos espaços de poder e decisão”
Uma das coordenadoras da pesquisa, Franciele Petry, aponta um efeito que não aparece na estatística: a intimidação de novas candidaturas.
“A violência política precisa ser enfrentada porque sua reprodução impede justamente uma participação plena e efetiva de determinados grupos e corpos”
Por que o número importa agora
O estudo mede o período pré-eleitoral — ou seja, o que aconteceu antes da disputa chegar ao dia da votação, marcada para domingo.
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