Economia

Venda de veículos passa de 500 mil em setembro e bate recorde

Fenabrave aponta alta de 14,41% no acumulado do ano, com mais de 4,2 milhões de unidades. Só motocicletas ficaram praticamente estáveis.
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Redação Bastidor Brasil
Publicado em 7 de outubro de 2026 às 08:20 · 3 min de leitura
Venda de veículos passa de 500 mil em setembro e bate recorde
Trânsito de veículos em avenida — Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Os emplacamentos de veículos no Brasil ultrapassaram 500 mil unidades em setembro, recorde para o mês, segundo a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). O número engloba automóveis, comerciais leves — picapes e furgões —, ônibus, caminhões, motos e implementos rodoviários, como reboques e carrocerias.

No acumulado de janeiro a setembro, a alta chega a 14,41%, com mais de 4,2 milhões de unidades emplacadas.

"O mercado continua demonstrando demanda por veículos novos, mesmo em um ambiente ainda complexo de crédito", afirmou o presidente da Fenabrave, Arcelio Junior.

O crédito caro e os programas que seguraram a conta

A ressalva sobre o crédito não é detalhe. Com a Selic em patamar elevado, o financiamento de veículos — que é como a maior parte das vendas acontece no Brasil — fica mais caro, e a parcela pesa mais no orçamento. É nesse cenário que o recorde chama atenção.

Segundo Arcelio Junior, para automóveis e comerciais leves a concorrência entre marcas e programas de fomento do setor, como o Move Brasil e o Carro Sustentável, continuam tendo peso importante na decisão do consumidor.

O efeito aparece com clareza nos pesados. O Programa Move, que ofereceu incentivos para renovação da frota de caminhões, ajudou a "estancar o movimento de queda" do segmento. "Nos veículos pesados, o custo financeiro tem impacto importante porque estamos falando de um investimento ligado à atividade econômica. Mas as linhas especiais ligadas ao Move Brasil, já esgotadas, ajudaram a reverter o movimento de queda", destacou.

Como foi cada segmento

  • Automóveis e comerciais leves: alta de 2,13% sobre agosto e de 16,16% sobre setembro de 2025 — o segmento que mais cresce, acima do esperado pela federação
  • Ônibus: alta de 12,09% sobre agosto e de 18,43% na comparação anual, também impulsionada pelo Move Brasil
  • Caminhões: alta de 2,51% sobre agosto e de 2,65% sobre setembro de 2025, mas acumulado do ano ainda negativo, em -3,89%
  • Motocicletas: queda de 0,09% sobre agosto e de 0,41% sobre o ano passado, resultado que a Fenabrave considera "próximo da estabilidade"

O caso dos caminhões é o mais revelador do momento do setor: o mês foi positivo, mas o ano segue no vermelho. É a diferença entre uma recuperação em curso e uma recuperação consolidada — e foi exatamente para encurtar essa distância que as linhas de incentivo foram criadas.

A previsão para o fechamento do ano

A Fenabrave manteve a expectativa de crescimento para 2026: a projeção é de alta em torno de 8,6% no setor como um todo, com mais de 5,3 milhões de unidades comercializadas.

A entidade admite, porém, que a previsão poderá ser revista em novembro. "Os resultados atuais nos indicam um fechamento de ano melhor do que o esperado, para a maior parte dos segmentos, mas vamos aguardar o desempenho de outubro, que pode apontar ajustes no mercado", afirmou o presidente da federação.

Outubro costuma ser um mês de leitura importante no setor porque antecede o período de fim de ano, quando concentram-se campanhas de venda e a renovação de frotas corporativas — movimento que tende a definir o desempenho do último trimestre.

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