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Unicef: 30 milhões de crianças no Brasil expostas a riscos climáticos

Metade delas convive com três ou mais riscos ao mesmo tempo. Em 2024, enchentes e seca interromperam as aulas de 1,17 milhão de estudantes.
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Redação Bastidor Brasil
Publicado em 8 de outubro de 2026 às 08:11 · 3 min de leitura
Unicef: 30 milhões de crianças no Brasil expostas a riscos climáticos
Crianças em área atingida por evento climático extremo — Foto: Arquivo/Fernando Frazão/Agência Brasil

Cerca de 30 milhões de crianças no Brasil estão expostas a riscos climáticos, segundo o Unicef. Desses, 16 milhões convivem com três ou mais riscos simultaneamente.

O alerta vem acompanhado de uma previsão concreta: boletim divulgado em 1º de setembro por órgãos oficiais aponta mais de 90% de probabilidade de o El Niño atingir intensidade muito forte no trimestre setembro-outubro-novembro.

O que já aconteceu serve de medida

O Unicef usa eventos recentes para mostrar como o extremo climático interrompe direitos concretos.

Em 2024, as enchentes no Rio Grande do Sul afetaram a educação de 741 mil estudantes, enquanto a seca extrema na Amazônia atingiu outros 436 mil. No total, 1,17 milhão de crianças e adolescentes tiveram as aulas interrompidas.

São números que traduzem o fenômeno meteorológico em perda de dias de escola — algo que não se recupera depois.

O que o El Niño é, e por que piora

O El Niño é parte de um ciclo natural nas temperaturas do Oceano Pacífico equatorial, marcado por águas mais quentes que influenciam os padrões de chuva e temperatura em diferentes partes do planeta. Ocorre, em média, a cada dois a sete anos.

O que mudou é a intensidade das consequências. Com as mudanças climáticas e a degradação ambiental causadas pela ação humana, os impactos do fenômeno têm se agravado a cada novo ciclo — e dependem também das vulnerabilidades já existentes e da capacidade dos serviços públicos de se preparar.

Para o período atual, há tendência de chuva abaixo da média em grande parte do Norte e Nordeste e acima da média especialmente no Sul, além de temperaturas acima da média em praticamente todo o país. Calor e estiagem também podem prolongar as condições favoráveis a queimadas no Centro e no Norte.

Por que a criança é atingida primeiro

Danilo Moura, especialista em Clima e Meio Ambiente do Unicef no Brasil, explica a diferença entre o dado meteorológico e o efeito na vida real.

O boletim mostra onde pode chover mais ou menos e onde o calor ou a seca se intensificam, diz ele; o papel da organização é olhar o que acontece quando esse extremo chega a uma criança. "Uma seca pode significar falta de água segura, fumaça, dificuldade para chegar à escola ou ao posto de saúde", afirma.

"Uma enchente pode significar escola fechada, vacinação interrompida ou perda da renda da família. E muitos desses impactos podem ser reduzidos se a preparação acontecer antes da emergência."

Há ainda uma vulnerabilidade biológica. Por estarem em desenvolvimento, crianças são particularmente sensíveis ao calor extremo, à desidratação, à fumaça, à má nutrição e a doenças favorecidas por mudanças de temperatura e de chuva. E dependem de adultos e de serviços públicos para ter água, alimentação, escola, saúde e proteção.

Preparar para além deste ciclo

A recomendação do Unicef vai além da emergência imediata.

"Preparar o Brasil, portanto, não significa apenas atravessar o ciclo de 2026–2027, mas construir uma rede de proteção capaz de responder aos próximos El Niños e a outros eventos extremos, com crianças, famílias e serviços essenciais mais protegidos do que no passado", afirma a organização.

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