Três anos do 7 de Outubro: o bloco pró-EUA acabou e nasceu uma aliança islâmica
O ataque do Hamas contra vilas ao sul de Israel, que tirou a vida de cerca de 1,2 mil pessoas, completa três anos. A resposta militar israelense — classificada por especialistas como genocídio — destruiu cidades inteiras de Gaza, como Rafah e Khan Yunis, e causou mais de 74 mil mortes.
Nesse intervalo houve ainda a queda do governo de Bashar al-Assad na Síria, a guerra de Israel no Líbano contra o Hezbollah, a guerra de Israel e Estados Unidos contra o Irã, o fechamento do Estreito de Ormuz e o retorno do conflito com os houthis do Iêmen.
“Um ponto de virada”
Para Bruno Huberman, professor de relações internacionais da PUC-SP, o 7 de outubro reorganizou as alianças políticas e militares da região:
“O bloco pró-EUA não existe mais porque teve um rompimento entre a Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos com a guerra contra o Irã, onde a Arábia Saudita tentou manter uma agressividade não tão aberta, enquanto os EAU se juntaram a Israel”
Um dos resultados desse rompimento foi a saída dos Emirados da Opep, o cartel de países produtores de petróleo que tem a Arábia Saudita como principal liderança.
A aliança que ninguém esperava
Em 7 de agosto de 2026, Turquia, Arábia Saudita e Paquistão formaram o chamado Acordo de Defesa Conjunta de Meca, que prevê que uma agressão a um dos países seja tratada como ação contra todos.
⚠️ O detalhe que Huberman considera decisivo: esse bloco não é anti-Irã.
“Não busca subjugar a República Islâmica do Irã e não tem no Eixo da Resistência a principal ameaça à estabilidade do Oriente Médio. Isso é uma mudança importante”
É uma inversão de décadas de política regional, montada por países que seguem aliados dos Estados Unidos.
A questão palestina de volta ao centro
Para Isabela Agostinelli, professora de relações internacionais da Fecap, as guerras posteriores estão todas ligadas ao ataque do Hamas:
“Depois do 7 de outubro, a questão palestina é recolocada no centro novamente a ponto de a Arábia Saudita, que estava na iminência de normalizar as relações com Israel, dizer que não há qualquer acordo possível sem uma solução para a questão palestina”
Ela avalia que Israel usou a data para expandir a guerra de Gaza para a Cisjordânia, o Líbano e o Irã, com o objetivo de reordenar a região a seu favor:
“Há um objetivo ali de basear essa ordem na desordem, no caos regional, em guerras intermináveis, que são muito lucrativas para a indústria de armas e de tecnologia que em Israel é muito forte”
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