Trabalho infantil cai 9,2% no Brasil, mas ainda atinge 1,5 milhão
O Brasil registrou 1,499 milhão de crianças e adolescentes de 5 a 17 anos em situação de trabalho infantil em 2025, o equivalente a 4% da população nessa faixa etária. O número representa queda de 9,2% em relação a 2024, quando eram 1,65 milhão, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.
A redução anual é uma melhora no indicador, mas a dimensão do problema continua expressiva. Em comparação com 2016, quando havia 2,1 milhões de crianças e adolescentes nessa condição, a queda acumulada chegou a 28,6%. Os dados não significam que todas as formas de trabalho tenham o mesmo perfil: a pesquisa diferencia atividades econômicas e trabalho para autoconsumo, realizado para atender necessidades da própria família.
Como o IBGE define o indicador
Para crianças de até 13 anos, o levantamento considera trabalho infantil qualquer atividade econômica remunerada ou trabalho para autoconsumo. Para adolescentes de 14 e 15 anos, a ocupação permitida é a aprendizagem. Aos 16 e 17, o trabalho pode ocorrer com carteira assinada, mas são vedadas atividades insalubres, perigosas e em horário noturno. A definição combina idade e condições da atividade, e por isso não é equivalente a contar apenas empregos formais.
A Pnad estimou que 525 mil pessoas estavam nas piores formas de trabalho infantil, que envolvem riscos à saúde, ao desenvolvimento ou à moral. O dado reforça que a queda do total não elimina situações particularmente graves.
Renda, escola e proteção
Pesquisadores do IBGE apontaram fatores possíveis para o recuo, como políticas públicas, aumento da renda domiciliar e mercado de trabalho aquecido. A pesquisa identifica associações e tendências; não atribui a mudança a uma única causa. A maior parte das crianças em situação de trabalho infantil frequentava a escola, mas a presença escolar, sozinha, não elimina o impacto de jornadas extensas sobre descanso, saúde e aprendizagem.
O acompanhamento dos dados precisa caminhar com prevenção, fiscalização e apoio às famílias. A série histórica mostra avanços desde 2016, interrupções e novas quedas, enquanto milhões de crianças ainda precisam de proteção e acesso a condições seguras para estudar e crescer.