Sete em cada dez eleitos têm baixa convergência com pauta ambiental

O Congresso eleito em 2026 terá sete em cada dez parlamentares com pouco ou nenhum alinhamento à pauta ambiental. A conclusão é de análise do Observatório do Clima sobre o índice de convergência ambiental, que mede o quanto a atuação e os votos dos congressistas acompanham a agenda de clima e meio ambiente.
Somadas as duas Casas, 68,9% dos eleitos ficam nas faixas baixa ou muito baixa.
Como o índice é calculado
A metodologia é do Instituto Democracia e Sustentabilidade e divide os parlamentares em quatro faixas, conforme o percentual de alinhamento: muito baixa (0 a 25%), baixa (26 a 50%), boa (51 a 69%) e muito boa (70 a 100%).
No novo Congresso, 201 congressistas (33,8%) ficaram na faixa muito baixa e 208 (35%) na baixa. Do outro lado, 52 (8,75%) aparecem na faixa boa e 133 (22,4%) na muito boa.
Vale notar o que o índice mede e o que não mede: ele avalia comportamento legislativo — votos e atuação —, não declarações de campanha. É um retrato de como o parlamentar age quando a pauta chega ao plenário.
O Senado puxa o número para baixo
A diferença entre as duas Casas é grande. No Senado, o índice baixo ou muito baixo alcança 79%: são 64 dos 81 senadores da próxima legislatura com pouquíssimo ou nenhum alinhamento a iniciativas de conservação, enfrentamento das mudanças climáticas e adaptação das cidades.
Apenas 17 senadores (21%) estão nas faixas boa ou muito boa — 12 na boa e apenas 5 na muito boa.
E o quadro piorou em relação à legislatura que termina neste ano: o número de senadores com convergência baixa ou muito baixa subiu de 58 (71,6%) para 64 (79%).
Na Câmara, dos 513 deputados, 345 (67,3%) estão nas faixas baixa ou muito baixa. Quarenta (7,8%) aparecem na faixa boa e 128 (25%) na muito boa.
O que explica a piora
Para o Observatório do Clima, o movimento decorre do crescimento de partidos de extrema direita nas duas Casas, que historicamente apresentam convergência ambiental muito baixa.
O Partido Liberal é o exemplo citado: passou de 15 para 28 cadeiras no Senado (34,6% da Casa) e de 98 para 121 deputados federais na Câmara (23,6%).
A coordenadora de Políticas Públicas da entidade, Suely Araújo, avalia que o cenário põe em risco parte importante da proteção ambiental do país. Entre os retrocessos possíveis, ela cita o enfraquecimento dos órgãos ambientais, a anistia a grileiros e a diminuição da proteção a florestas e biomas.
"Este quadro evidencia quatro anos de muito esforço para aqueles que atuam em clima e meio ambiente, e muita preocupação tanto com graves retrocessos quanto com as terríveis consequências disso tudo para a crise climática", afirmou.
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