Economia

Receita apreende nove contêineres da China com R$ 63 milhões em brinquedos ocultos

Carga declarada de baixo valor escondia bonecos, pelúcias e cartas de franquias conhecidas, sem certificação do Inmetro — às vésperas do Dia das Crianças.
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Redação Bastidor Brasil
Publicado em 8 de outubro de 2026 às 20:15 · 2 min de leitura
Receita apreende nove contêineres da China com R$ 63 milhões em brinquedos ocultos
Foto: Receita Federal/ Divulgação/Agência Brasil

A Receita Federal apreendeu nove contêineres com produtos vindos da China no Porto do Rio de Janeiro. Somadas as duas fases da operação, as mercadorias chegam a R$ 63 milhões.

| fase | contêineres | valor | |---|---|---| | setembro | 5 | R$ 35 milhões | | outubro | 4 | R$ 28 milhões |

A ação começou a partir de análise de risco que identificou inconsistências nas informações declaradas na importação. A segunda leva apresentava o mesmo padrão da primeira.

O truque: a parede da frente

Os contêineres traziam declarações de mercadorias de baixo valor agregado. Na conferência física, os fiscais verificaram que os produtos declarados ocupavam apenas a parte frontal das cargas.

Ao fundo estavam escondidas mercadorias com indícios de fraude aduaneira — “brinquedos, pelúcias, bonecos colecionáveis, cartas de jogos, canetas e outros itens associados a franquias conhecidas”.

Dois problemas além do imposto

  • falsificação — indícios de violação de direitos de propriedade intelectual
  • brinquedos sem certificação do Inmetro, o que por si só impede a venda regular no Brasil

⚠️ O que isso significa para quem vai comprar

Com a proximidade do Dia das Crianças, a Receita orienta verificar a procedência antes de comprar. Produto vendido no país deve exibir o selo do Inmetro — e mercadoria sem o selo não passou pela avaliação de segurança exigida.

Não é burocracia: a certificação é o que testa peça pequena que solta, tinta com metal pesado e material inflamável. Brinquedo escondido no fundo de contêiner não passou por nenhum desses testes.

Como o esquema é identificado

A fiscalização não abre contêiner por contêiner — seria inviável. O ponto de partida é a análise de risco: o sistema cruza o que foi declarado com o histórico do importador, a rota, o peso e o valor informado, e aponta o que destoa. Foi esse cruzamento que levou aos cinco primeiros, e o mesmo padrão levou aos quatro seguintes.

É também o que explica a diferença entre as duas fases: uma vez identificado o desenho da fraude, encontrar as cargas seguintes fica mais rápido.

O prejuízo não é só do governo

Produto que entra com valor subdeclarado paga menos imposto e chega à prateleira mais barato que o do concorrente que declarou certo. Quem importa dentro da regra — e o fabricante nacional — disputa preço com uma carga que não pagou o que devia.

Somando as duas fases, são R$ 63 milhões em mercadoria retida.

Fontes consultadas
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