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Quilombolas expulsos por mineradora buscam reparação após 20 anos

Procurador propõe acordo com a Kinross Gold para reconhecer comunidades de Paracatu, em Minas Gerais, e definir indenizações e reassentamentos.
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Redação Bastidor Brasil
Publicado em 15 de outubro de 2026 às 21:00 · 2 min de leitura
Quilombolas expulsos por mineradora buscam reparação após 20 anos
Foto: Carlos Roberto Alves/MPF/Agência Brasil

Comunidades quilombolas que perderam seus territórios para uma mineradora em Minas Gerais buscam reparação depois de cerca de 20 anos. O caso envolve a Kinross Gold Corporation, multinacional canadense que instalou estrutura e uma barragem de rejeitos para explorar a mina de ouro e prata Morro do Ouro, em Paracatu.

Segundo a Agência Brasil, as comunidades afetadas são Machadinho, Amaros e São Domingos. Ao todo, cerca de 1,3 mil famílias podem ser beneficiadas por um eventual acordo.

A negociação

Na semana passada, o procurador regional da República José Adércio Leite Sampaio esteve em Paracatu para buscar um acordo com a empresa. A proposta trata da reparação por danos socioambientais, territoriais e culturais causados às comunidades.

Segundo o procurador, a negociação busca o reconhecimento oficial das comunidades, a garantia dos direitos territoriais e a definição de critérios para indenizações e reassentamentos. Ele visitou as instalações da mineradora, fez reuniões com representantes das três comunidades e se encontrou com cerca de 400 moradores do Quilombo do Machadinho.

Memória de quem saiu

Claudinês, neta de uma das moradoras que deixaram o território, hoje preside a associação de moradores da comunidade. Ela afirma que cresceu ouvindo da avó o desejo de justiça.

Direitos territoriais

O caso se insere em uma discussão mais ampla sobre territórios quilombolas. A Constituição garante a essas comunidades o direito às terras que ocupam tradicionalmente, e a titulação costuma ser um dos maiores desafios. Quando a área é ocupada por empreendimentos, a disputa envolve licenças ambientais e indenizações.

O que vem depois

Um eventual acordo precisará ser homologado e cumprido. Para as comunidades, o ponto central é o reconhecimento formal dos territórios e a participação nas decisões sobre reassentamentos. Segundo o procurador, a intenção é construir uma solução que garanta a reparação integral das populações afetadas.

Fontes consultadas
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