Quênia confirma primeiro caso de ebola e rastreia 28 contatos

O Quênia confirmou seu primeiro caso de ebola. O paciente, de nacionalidade queniana, morreu na noite anterior ao anúncio, após receber tratamento de suporte em isolamento.
O Ministério da Saúde classifica o caso como importado: o homem morava havia sete anos na República Democrática do Congo, país que enfrenta um forte surto da doença.
Como o caso foi identificado
Segundo o ministério, o paciente apresentou os primeiros sinais de adoecimento havia cerca de um mês, quando ainda estava no Congo, onde chegou a receber tratamento em diversos hospitais. Ele chegou a Nairóbi no dia 3 e, ao procurar atendimento médico novamente, foi isolado.
Entre os sintomas estavam febre, calafrios, fadiga intensa, fraqueza, dores musculares, dor de garganta, sangramento subcutâneo e em pontos de acesso venoso.
"Com base na apresentação clínica descrita e no histórico de viagem à República Democrática do Congo, o médico considerou tratar-se de um caso de febre hemorrágica viral e coletou uma amostra para análise, que apresentou resultado positivo para ebola", informou o ministério. O resultado foi confirmado em dois laboratórios: o Nacional de Referência em Virologia e o do Instituto de Pesquisa Médica do Quênia.
O histórico de viagem foi o que levantou a suspeita — e é por isso que essa pergunta aparece em protocolo de emergência mesmo quando os sintomas são inespecíficos.
A corrida pelos contatos
Foram identificadas pelo menos 28 pessoas que tiveram contato com o paciente, incluindo familiares e profissionais de saúde que fizeram os primeiros atendimentos.
O governo queniano busca ainda localizar 23 passageiros e quatro tripulantes que estiveram no mesmo voo que o homem. "Estão sendo tomadas providências para a quarentena de pessoas em situação de risco, visando proteger o público", informou a pasta.
Essa é a parte decisiva da resposta a um surto. O ebola se transmite por contato direto com fluidos corporais de pessoa sintomática, não pelo ar — o que torna o rastreamento de contatos uma estratégia eficaz, desde que seja rápido. O período de incubação pode chegar a três semanas, e é dentro dessa janela que cada contato precisa ser encontrado e monitorado.
Em conformidade com o Regulamento Sanitário Internacional, a Organização Mundial da Saúde foi informada do caso.
Também foram iniciados os preparativos para um sepultamento seguro e digno, seguindo os protocolos específicos para ebola. A medida não é detalhe: funerais tradicionais, com manuseio do corpo, estão entre as principais formas de propagação da doença em surtos anteriores.
A triagem que vinha sendo feita
O caso não escapou de um sistema inexistente — passou por um que já estava em operação.
Desde o início do surto na República Democrática do Congo, em maio, o Quênia informa ter examinado 652.584 viajantes. Foram testadas 267 amostras em cinco laboratórios habilitados no país, e apenas esta deu positivo.
O número mostra tanto o esforço quanto o limite da triagem de fronteira: ela depende de a pessoa apresentar sintomas no momento da passagem, e quem está em incubação atravessa sem ser detectado.
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