PS5 e Switch 2 devem durar mais, diz ex-chefe da PlayStation

Sony e Nintendo deveriam esticar ao máximo o ciclo de vida do PlayStation 5 e do Nintendo Switch 2, em vez de correr para uma nova geração. A avaliação é de Shuhei Yoshida, ex-presidente da PlayStation Worldwide Studios, em declarações ao site The Verge.
O argumento tem duas pernas: a pressão sobre a cadeia de fornecimento de componentes e a situação do bolso de quem compra.
O componente ficou caro, e o console vai junto
Segundo Yoshida, a indústria de videogames enfrenta uma pressão sem precedentes no fornecimento de componentes, e os preços de peças eletrônicas registram alta superior à de quase todos os outros ramos do entretenimento.
Esse é o ponto técnico por trás da recomendação. Um console novo só faz sentido comercial se a geração seguinte oferecer um salto de desempenho por um preço que o público aceite. Quando memória e chips encarecem, as duas pontas se desencontram: o salto custa mais caro para entregar, e o comprador tem menos margem para pagar por ele.
O ex-executivo lembra ainda que as duas empresas construíram bases instaladas sólidas — ou seja, há muita gente com o aparelho na mão e satisfeita com ele. Com o orçamento das famílias pressionado, o público se sente confortável com o equipamento que já possui, e o incentivo para trocar some.
O que uma geração mais longa significa na prática
Esticar o ciclo não é apenas adiar um anúncio. Para quem joga, significa que os jogos continuam sendo desenvolvidos pensando no hardware atual por mais tempo — o que costuma ser bom, porque é no fim da geração que os estúdios já dominam a máquina e entregam seus melhores resultados técnicos.
Também significa que os acessórios e a biblioteca comprada seguem úteis por mais tempo, e que a pressão para recomprar jogos em versões remasterizadas diminui.
Do lado das fabricantes, uma geração longa permite diluir o custo de desenvolvimento do hardware em mais anos de venda e manter o preço mais estável — especialmente relevante num cenário em que o custo de produção sobe em vez de cair, o contrário do que historicamente acontecia ao longo de uma geração.
Quem é Shuhei Yoshida e por que sua opinião circula
Yoshida comandou por anos os estúdios internos da PlayStation, o braço da Sony responsável pelos jogos exclusivos do console. Foi uma das figuras mais visíveis da empresa em eventos e apresentações, e depois passou a cuidar da relação com desenvolvedores independentes antes de deixar a companhia.
Ele não fala mais em nome da Sony, e nada do que diz é anúncio oficial. O peso de sua declaração vem de outro lugar: conhecimento de como as decisões de geração são tomadas por dentro, e liberdade para dizer em público o que executivos no cargo normalmente não dizem.
Nem Sony nem Nintendo anunciaram prazos para uma próxima geração de consoles. O PlayStation 5 chegou ao mercado em 2020, e o Nintendo Switch 2 é o aparelho mais novo entre os dois.
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