Economia

Produção de veículos tem o melhor setembro desde 2014, diz Anfavea

Emplacamentos somaram 281,4 mil unidades no mês. Mas a exportação cai há seis meses, e boa parte do aumento veio de montagem de kits importados.
Compartilhe:
Redação Bastidor Brasil
Publicado em 8 de outubro de 2026 às 08:11 · 3 min de leitura
Produção de veículos tem o melhor setembro desde 2014, diz Anfavea
Linha de montagem de automóveis — Foto: Marek Ślusarczyk ( Tupungato ) Photo portfolio/Wikimedia Commons (CC BY 3.0)

A produção de veículos no Brasil teve em setembro o melhor resultado para o mês desde 2014, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores. No acumulado de janeiro a setembro, a alta é de 8,7% sobre o mesmo período do ano passado, com quase 2,2 milhões de unidades produzidas.

Os emplacamentos acompanharam: foram 281,4 mil unidades comercializadas no mês, também o maior volume para um setembro desde 2014, impulsionados principalmente pelas vendas de automóveis, que avançaram 22,5% no ano.

"Esse mês de setembro foi o maior volume desde 2014. Há muito tempo a gente não tinha um mês de setembro tão bom", disse o presidente da Anfavea, Igor Calvet.

A ressalva que a própria entidade faz

O número impressiona menos quando se olha como ele foi produzido. Das 173 mil unidades fabricadas a mais na comparação com o ano passado, apenas 50 mil foram feitas inteiramente no país.

O restante saiu dos regimes CKD (Completely Knocked Down) e SKD (Semi Knocked Down) — sistemas em que o veículo chega ao Brasil desmontado, em kit, e aqui passa apenas pela montagem final.

A diferença importa para a economia: um carro produzido do zero mobiliza a cadeia inteira de autopeças instalada no país; um kit montado localmente gera muito menos emprego e valor agregado aqui dentro, ainda que apareça na estatística de produção.

A exportação não reage, e a culpa tem endereço

Enquanto produção e emplacamentos sobem, as exportações seguem em queda há seis meses, estagnadas em patamar mensal abaixo de 40 mil unidades.

Em setembro foram exportadas 39,8 mil unidades — alta de 0,1% sobre agosto, mas queda de 24,2% sobre setembro do ano passado.

"A gente depende muito da Argentina e 96% dessa queda pode ser explicada pela queda das exportações para a Argentina", afirmou Calvet. Além da crise do país vizinho, a Anfavea aponta a perda de participação dos veículos brasileiros para modelos chineses e mexicanos.

Na direção oposta, as importações crescem: alta de 34,9% sobre setembro do ano passado. "As importações cresceram 30% no acumulado e a nossa exportação tem crescido 20%. Então, a gente não só está aumentando o que compramos do exterior, como também diminuindo a nossa venda para o exterior", resumiu o presidente da entidade.

A projeção para o fim do ano

Com o desempenho acumulado, a Anfavea revisou para cima as projeções de 2026.

A expectativa é fechar o ano com 3,1 milhões de autoveículos emplacados, patamar não alcançado desde 2014 — o que representaria crescimento de 15,2% sobre 2025, bem acima dos 2,7% previstos no início do ano. O avanço deve ser puxado por automóveis e comerciais leves, com expectativa revisada para 16,4%.

A produção também sobe na projeção: de 3,7% para 6,7%, com volume superior a 2,8 milhões de unidades, o melhor resultado desde 2019 — ainda assim distante do potencial da demanda interna.

O segmento de pesados, formado por caminhões e ônibus, segue na contramão e deve encerrar o ano com retração de 6,5% nos emplacamentos. As exportações do setor devem cair 17,7%.

Fontes consultadas
Compartilhar: WhatsApp Facebook X Telegram

Leia também

O resumo do dia, no seu e-mail

Uma mensagem por dia com o que importa. Sem spam, e dá pra sair quando quiser.

Este site usa cookies para medir audiência e exibir publicidade. Ao continuar, você concorda. Saiba mais.