Política externa divide Lula e Flávio: soberania e alinhamento aos EUA

A política externa ganhou espaço nos planos de governo apresentados pelos candidatos ao segundo turno. O plano de Lula reserva quase seis páginas ao tema. O de Flávio Bolsonaro, cerca de três. As diferenças aparecem já na leitura do cenário internacional.
No documento do petista, o mundo vive "conflitos sem precedentes" desde a Segunda Guerra Mundial, com ataques ao direito internacional. O texto promete oposição firme a qualquer tentativa de subordinar o Brasil a interesses estrangeiros e defende a atuação do país no chamado Sul Global.
Aproximação com Washington
O plano do candidato do PL propõe uma aproximação maior com os Estados Unidos, Israel e a Argentina. Segundo ele, a soberania nacional se exerce "na prática" e não com "bravatas". O texto critica a condução da política externa nos últimos anos, que, nas palavras do documento, teria trocado o interesse nacional pela ideologia.
Na prática, o plano critica a posição do governo Lula em relação ao Irã, à Venezuela e a Israel. A Agência Brasil informa que Flávio tem defendido as ações militares do governo de Donald Trump, como a guerra contra o Irã e a intervenção na Venezuela. O candidato também critica a tentativa do Brics de estimular o comércio entre países sem usar o dólar.
Posição do governo
O governo Lula condena os ataques militares contra outros países e defende a solução de conflitos por meio de negociação e do direito internacional.
A diferença entre os dois projetos deve pesar na campanha. Enquanto um propõe autonomia e reforço de blocos do Sul Global, o outro defende aproximação com os Estados Unidos, Israel e a Argentina. Os eleitores terão a decisão final no dia 25 de outubro.
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