Política

PF aponta que Vorcaro revisava documentos do BRB enviados ao Banco Central

Textos eram produzidos por escritório que prestava serviço ao Master, não ao banco de Brasília, mas saíam assinados pelo BRB.
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Redação Bastidor Brasil
Publicado em 13 de outubro de 2026 às 22:51 · 2 min de leitura
PF aponta que Vorcaro revisava documentos do BRB enviados ao Banco Central
Arte Bastidor Brasil

A Polícia Federal apontou que Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, revisava e aprovava documentos do BRB antes de eles serem enviados ao Banco Central. A informação consta de apuração da corporação sobre a tentativa de compra do Master pelo banco de Brasília.

Segundo a PF, os textos eram elaborados pelo escritório do advogado Daniel Lopes Monteiro — que prestava serviços ao Master, e não ao BRB.

Como funcionava, segundo a apuração

Um exemplo citado é de março de 2025. Uma advogada do escritório enviou uma minuta com sugestão de resposta a um pedido de esclarecimentos apresentado pelo Banco Central.

O documento trazia lacunas a serem preenchidas pela equipe do banco de Brasília, com instruções como: "favor incluir explicações, informações e documentos que esclareçam o questionamento acima". Ao final, a assinatura era do BRB.

"Observa-se que o documento foi feito em nome do BRB, como uma resposta do BRB ao Banco Central", registra a PF.

A intenção de compra do Master pelo BRB foi anunciada no fim daquele mesmo mês.

O caso se repetiu

Em abril de 2025 houve situação semelhante. Vorcaro cobra de Monteiro um documento que deveria ser enviado ao Banco Central naquele dia, tratando de operações envolvendo o BRB. Novamente, a assinatura era da instituição de Brasília.

"Observa-se que o documento se trata de uma carta do BRB para o Banco Central do Brasil, redigida pelo advogado", diz a apuração.

Por que isso importa

O ponto central não é quem redigiu o texto — escritórios externos redigem documentos para bancos rotineiramente. O problema apontado está em de quem era o escritório.

Numa negociação de compra, comprador e vendedor têm interesses opostos, e o regulador precisa receber de cada parte uma manifestação própria. Se as respostas do comprador ao Banco Central passavam pela revisão do vendedor, a independência que a supervisão pressupõe fica comprometida.

Os relatos fazem parte da investigação em curso e não foram submetidos a julgamento.

Fontes consultadas
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