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Outubro Rosa: a parte que ninguém vê é o medo que continua depois da alta

Psicóloga explica que o fim da quimioterapia inicia uma etapa de incerteza — com medicação por até cinco anos, afastamento de amigos e medo de recidiva.
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Redação Bastidor Brasil
Publicado em 9 de outubro de 2026 às 06:30 · 2 min de leitura
Outubro Rosa: a parte que ninguém vê é o medo que continua depois da alta
Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

O fim do tratamento do câncer de mama costuma ser comemorado por todos ao redor — menos, às vezes, por quem passou por ele.

“Enquanto familiares e amigos celebram a remissão e esperam que a vida volte ao normal, a mulher pode continuar convivendo com medos, inseguranças e transformações que não desaparecem com o fim do tratamento” — Laís Mutuberria Vieira, psicóloga clínica

Por que a alta assusta

Durante meses, a paciente vive uma rotina de hospital, médicos e exames, com gente sempre por perto acompanhando sua saúde. Quando a quimioterapia e a radioterapia terminam, esse contato some de uma vez.

“Consultas e pessoas sempre por perto, acompanhando sua saúde. Quando a quimioterapia e a radioterapia terminam, esse contato diminui e começa nova etapa. Uma etapa cheia de incertezas”

Muitos familiares e amigos se afastam para retomar a vida normal — e a mulher, temendo a recidiva, fica marcada pelo medo da solidão.

“Os exames de acompanhamento podem despertar medo, qualquer alteração ou dor pode ser interpretada como reincidência da doença. Essa mulher ainda precisa de apoio”

O tratamento não acaba na última sessão

Muitas pacientes continuam usando medicação por até cinco anos e sentem fadiga, entre outros efeitos do acompanhamento.

E há o corpo: cicatriz, às vezes a perda de uma mama, às vezes uma mama nova com a qual ela ainda não se identifica. Segundo a psicóloga, isso afeta autoestima, desejo e a forma como a mulher se reconhece no espelho — com repercussão no toque, na espontaneidade, na confiança e na disponibilidade para o vínculo íntimo.

O estigma que ainda existe

Renata Reis Pinto, mastologista e radiologista do Inca, lembra que o câncer de mama ainda é visto na prática clínica como sentença de morte. Para ela, oferecer tratamento multidisciplinar — com assistente social, por exemplo, para resolver com quem fica o filho durante a internação — melhora até a evolução clínica.

Uma história

Josiane Fernandes, 48 anos, de Volta Redonda, descobriu um nódulo na mama esquerda no início de 2025 e confirmou o diagnóstico em março:

“Eu não contei para ninguém. Eu sofri sozinha. Só contei para meu marido depois de fazer a biópsia. Meu tratamento com cirurgia, quimioterapia e imunoterapia durou por volta de um ano e três meses. Entrei em depressão, precisei de tratamento”

⚠️ É por isso que a campanha de outubro não termina no exame: diagnóstico precoce salva a vida, e o cuidado depois dele salva a vida que sobrou.

Fontes consultadas
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