Política

Novo Congresso deve trocar pauta trabalhista por segurança, diz professor

Para cientista político da UnB, eleitorado mandou recado claro; fim da 6x1 pode demorar e o STF deve entrar na mira do Senado
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Redação Bastidor Brasil
Publicado em 7 de outubro de 2026 às 21:42 · 2 min de leitura
Novo Congresso deve trocar pauta trabalhista por segurança, diz professor
Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

O Congresso que sai das urnas de 2026 é mais conservador do que o atual e deve mudar a agenda de votações a partir de fevereiro de 2027, quando começa a nova legislatura. A avaliação é do economista e doutor em ciência política Jeferson Ramos dos Santos, professor da Universidade de Brasília (UnB), em entrevista à Agência Brasil e à Rádio Nacional.

Segundo ele, temas como segurança pública, valores e família devem ganhar espaço, enquanto pautas trabalhistas tendem a perder força. "Os temas foram bastante relevantes. É um recado muito claro do eleitorado", afirmou.

O que pesou nas urnas

O professor observa que, nas campanhas regionais, os assuntos que mais apareceram foram segurança pública, custo de vida, valores e família. Nos lugares onde os candidatos que priorizaram esses temas venceram, diz ele, essas questões viraram dominantes e devem se refletir na atuação dos eleitos.

O resultado no Senado reforça essa leitura. O PL elegeu 19 senadores e chegará a 28 cadeiras na Casa. O MDB conquistou sete vagas e o PT, seis.

Supremo na mira

Para Jeferson Ramos dos Santos, o Supremo Tribunal Federal (STF) deve enfrentar um escrutínio maior do Senado, que é a Casa responsável por aprovar indicações de ministros e julgar eventuais pedidos de impeachment contra eles. Entre as possibilidades, ele cita mudanças no alcance das decisões individuais dos ministros e a criação de limites para o tempo de mandato na corte.

E a escala 6x1?

A proposta que acaba com a escala 6x1 e reduz a jornada semanal para 40 horas está prevista para ser votada no Senado nas próximas semanas. Para o professor, o novo cenário político pode fazer o tema demorar mais para avançar. "O quadro político mudou sensivelmente", disse.

Ele pondera, no entanto, que o resultado da eleição presidencial ainda pode alterar esse equilíbrio. Uma vitória de Lula poderia reequilibrar a balança, enquanto uma vitória de Flávio Bolsonaro tenderia a empurrar a agenda ainda mais para a direita.

O que vem pela frente

O segundo turno entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) será em 25 de outubro, depois do primeiro turno com a menor diferença já registrada entre os dois primeiros colocados e com abstenção recorde. A propaganda eleitoral gratuita volta na sexta-feira (9) para presidente, seis governos estaduais e o Distrito Federal.

Os novos deputados e senadores tomam posse em 1º de fevereiro de 2027. É a partir daí que a mudança de perfil do Congresso começa a aparecer nas votações.

Fontes consultadas
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