Tecnologia

Nobel de Física vai para quem transformou gelo em detector gigante

Francis Halzen é premiado pelo observatório IceCube, construído em um quilômetro cúbico de gelo no Polo Sul.
Compartilhe:
Redação Bastidor Brasil
Publicado em 6 de outubro de 2026 às 18:21 · 2 min de leitura
Nobel de Física vai para quem transformou gelo em detector gigante
Foto: Christopher Michel / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

O físico Francis Halzen recebeu o Nobel de Física de 2026 por suas contribuições ao Observatório de Neutrinos IceCube e pela descoberta de neutrinos de alta energia de origem astrofísica. O anúncio foi feito nesta terça-feira (6). A premiação é de 12 milhões de coroas suecas, cerca de R$ 6,2 milhões.

Neutrinos são partículas subatômicas presentes em todo o Universo. Como quase não interagem com a matéria, trilhões deles atravessam a Terra e até o corpo humano continuamente, sem produzir efeitos perceptíveis. Raramente, porém, um neutrino colide com o núcleo de um átomo. A interação gera outras partículas e um pequeno clarão de luz — e é esse sinal que permite aos pesquisadores identificar a passagem da partícula.

Halzen propôs, em 1988, aproveitar o gelo do Polo Sul como detector. A ideia deu origem ao IceCube, construído dentro de um quilômetro cúbico de gelo na Antártida e concluído em 2011. O observatório reúne milhares de sensores de luz instalados em profundidade. Quando ocorre uma interação, eles registram a chamada radiação Cherenkov, e com esses dados os pesquisadores reconstroem a direção e a energia do neutrino.

O método ganhou importância porque os neutrinos de alta energia carregam informações sobre ambientes capazes de acelerar partículas a níveis muito superiores aos alcançados em aceleradores terrestres. Ainda há dúvidas sobre onde estão esses aceleradores cósmicos e como funcionam.

Essas partículas têm outra característica decisiva para a investigação: não são desviadas por campos magnéticos ao longo do caminho. Por isso, sua direção pode indicar a região do Universo onde foram produzidas. E como percorrem grandes distâncias sem perder energia, preservam informações sobre esses locais extremos.

Com o IceCube, pesquisadores identificaram os primeiros neutrinos cósmicos de alta energia e demonstraram depois que alguns vinham de muito além do Sistema Solar. O resultado abriu uma nova forma de observar o Universo, conhecida como astronomia de neutrinos. O observatório continua coletando dados e passou por uma grande atualização em 2026.

Desde 1901, mais de 220 cientistas já receberam o Nobel de Física, entre eles Albert Einstein, Marie Curie e Peter Higgs. A escolha começa com indicações feitas por membros autorizados da comunidade científica. "Você não pode se nomear, mas membros de comunidades científicas, reitores de faculdades de medicina, ex-laureados com o Prêmio Nobel e outros que trabalham no ramo científico mais amplo e que receberam esse pedido podem fazer uma indicação", explica Juleen Zierath, pesquisadora do Instituto Karolinska.

O calendário do Nobel de 2026 segue com Química nesta quarta-feira (7), Literatura na quinta (8), Paz na sexta (9) e Economia na próxima segunda-feira (12).

Fontes consultadas
Compartilhar: WhatsApp Facebook X Telegram

Leia também

O resumo do dia, no seu e-mail

Uma mensagem por dia com o que importa. Sem spam, e dá pra sair quando quiser.

Este site usa cookies para medir audiência e exibir publicidade. Ao continuar, você concorda. Saiba mais.