Games

"Naughty Dog existe para vender console", diz ex-artista do estúdio

Matt Radford, que trabalhou em The Last of Us e Uncharted 4, explica por que o estúdio escapa da pressão por lucro que atinge o resto da indústria.
Compartilhe:
Redação Bastidor Brasil
Publicado em 8 de outubro de 2026 às 08:11 · 3 min de leitura
"Naughty Dog existe para vender console", diz ex-artista do estúdio
Créditos: Ilustração/Adrenaline

A Naughty Dog consegue gastar anos e centenas de milhões de dólares em jogos de campanha única porque sua função é vender PlayStation, e não dar lucro por conta própria. A tese é de Matt Radford, ex-artista de efeitos visuais do estúdio, que trabalhou em *The Last of Us* e *Uncharted 4*.

⚠️ A afirmação foi feita no podcast Kiwi Talkz e é a leitura de um ex-funcionário — não uma posição oficial da Sony.

A lógica por trás da frase

"Pelo que entendo, a Naughty Dog existe para vender hardware da Sony", disse Radford.

Segundo ele, a empresa ganha dinheiro com o console, e o estúdio funciona como carro-chefe para fazer o aparelho valer a compra. Por isso não precisa ser tão orientado a lucro quanto companhias que vivem da venda de cada jogo.

Isso explica algo que intriga quem acompanha a indústria: por que a Naughty Dog escapa da pressão por jogos como serviço — com passe de batalha, temporadas e microtransações — que atinge praticamente todo o resto do mercado.

A resposta é que o retorno dela não é medido em cópias vendidas, e sim em consoles vendidos.

Por que isso vale para os três grandes

O raciocínio não é exclusivo da Sony. Vale para os exclusivos de primeira linha de Sony, Microsoft e Nintendo em geral.

Um estúdio cujo objetivo fosse apenas vender cópias lançaria em todas as plataformas — como a Microsoft passou a fazer com *Halo*. Para a Sony, ao contrário, parte do valor do PlayStation está justamente em ser o único lugar onde existem *God of War*, *The Last of Us* e *Spider-Man*.

É um modelo que funciona enquanto a venda de hardware sustenta a conta. Quando a fabricante decide levar seus títulos para o console concorrente — movimento que a Microsoft fez e agora revê —, o estúdio exclusivo perde exatamente a justificativa que lhe dava liberdade orçamentária.

Os números, e de quem eles são

Radford estima o custo de um jogo desse porte em US$ 600 milhões, cerca de R$ 3 bilhões, "ou algum número astronômico".

A cifra é dele, não da Sony. Nenhum orçamento da Naughty Dog foi divulgado oficialmente — e vale manter a ressalva, porque números assim circulam com facilidade e viram fato sem nunca terem sido confirmados.

A comparação com catedrais

O ex-desenvolvedor compara os jogos do estúdio a catedrais antigas: obras de um momento específico, feitas por artistas com uma habilidade que depois se perdeu. Hoje há jeitos melhores de erguer um prédio, diz ele, e mesmo assim nenhum fica parecido com aquelas construções.

Na visão dele, *Uncharted 4*, *The Last of Us Part II* e o futuro *Intergalactic* podem acabar vistos assim — como jogos em que a atuação, a escrita, a modelagem e a pintura foram feitas à mão por pessoas.

A comparação carrega uma melancolia que diz respeito ao momento da indústria: com custos nessa escala e ferramentas automatizadas avançando, o próprio modelo que produziu esses jogos pode estar com os dias contados.

Compartilhar: WhatsApp Facebook X Telegram

Leia também

O resumo do dia, no seu e-mail

Uma mensagem por dia com o que importa. Sem spam, e dá pra sair quando quiser.

Este site usa cookies para medir audiência e exibir publicidade. Ao continuar, você concorda. Saiba mais.