Morre aos 72 anos o maestro Roberto Tibiriçá, em São Paulo

Morreu em São Paulo, aos 72 anos, o maestro Roberto Tibiriçá. Ele estava internado em decorrência de um câncer. O velório será realizado na capital paulista, em local a ser divulgado.
A Orquestra Sinfônica do Paraná e o Teatro Guaíra lamentaram a morte do regente. Nas redes sociais, o diretor-presidente do Centro Cultural Teatro Guaíra, Cleverson Cavalheiro, homenageou o amigo: "Perdemos um grande maestro, mas seu legado permanecerá vivo em cada músico, em cada concerto e em cada pessoa que foi tocada por sua música".
A Fundação Orquestra Sinfônica Brasileira também se manifestou. Tibiriçá assumiu a direção artística da OSB em 1994 e, posteriormente, tornou-se regente titular da instituição.
Sua última apresentação ocorreu em 16 de julho, em Londrina, no Paraná, à frente da Orquestra Sinfônica do Paraná, no projeto Guaíra para Todos.
Do piano aos 8 anos a quatro décadas de regência
Roberto Tibiriçá começou a carreira erudita como pianista, aos 8 anos. Estudou regência com Eleazar de Carvalho, um dos nomes centrais da música de concerto brasileira, com quem trabalhou por 18 anos na Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo.
Ao longo de mais de quatro décadas, comandou algumas das principais orquestras do Brasil e do exterior, entre elas a Orquestra Metropolitana de Lisboa. Entre 1984 e 1985, atuou como regente assistente no Teatro Nacional de São Carlos, na capital portuguesa.
No Brasil, regeu a Orquestra Sinfônica Brasileira, a Orquestra Sinfônica Petrobras Pró-Música e a Sinfônica Heliópolis, do Instituto Baccarelli, além de dirigir as orquestras sinfônicas de Campinas, de São Bernardo do Campo e de Minas Gerais, esta última entre 2010 e 2013.
No fim dos anos 1980, fundou em São Paulo a Orquestra Nova Filarmonia, que acompanhou, entre outros artistas, o tenor italiano Luciano Pavarotti.
O pioneirismo nas gravações clássicas
Desde 1974, paralelamente à regência, Tibiriçá atuou como diretor artístico em gravadoras brasileiras — frente em que deixou uma marca menos visível ao público, mas decisiva para o registro da música erudita no país.
Foi responsável por abrir caminho nas gravações clássicas brasileiras, com destaque para o único LP gravado no Brasil pela pianista Guiomar Novaes, composto apenas por música brasileira e registrado no Museu de Arte de São Paulo, o Masp.
O trabalho em estúdio explica parte da importância de sua trajetória: até os anos 1970, boa parte do repertório erudito brasileiro só existia em partitura ou em apresentações ao vivo, sem registro fonográfico de qualidade feito no país.
Tibiriçá participou ainda de diversas edições do Projeto Aquarius, entre elas a missa campal celebrada pelo papa João Paulo II no Aterro do Flamengo, em 1997 — a última viagem do pontífice ao Brasil, com público estimado em cerca de 2 milhões de pessoas.
Prêmios e academias
Em 1995, foi eleito pela crítica especializada do Rio de Janeiro como Músico do Ano e recebeu do governo do Estado do Rio de Janeiro o Prêmio Estácio de Sá pelo trabalho à frente da Orquestra Sinfônica Brasileira.
Entre 2000 e 2003, ocupou o cargo de diretor artístico e regente titular da Orquestra Sinfônica Petrobras Pró-Música.
Em março de 2003, assumiu a Cadeira nº 5 da Academia Brasileira de Música. Desde 2018, era membro honorário da Academia Nacional de Música, no Rio de Janeiro.
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