Leilão do Eco Invest atrai quase R$ 50 bilhões para projetos verdes

O 5º leilão do Eco Invest Brasil atraiu quase R$ 50 bilhões em potencial de investimentos verdes. O resultado foi homologado pelo Comitê Executivo do programa, formado por representantes dos ministérios da Fazenda e do Meio Ambiente e Mudança do Clima.
Os recursos serão direcionados a fundos de inovação, crédito corporativo e projetos de pesquisa aplicada e empreendedorismo de base tecnológica.
Quem disputou e quem levou
Participaram da disputa Banco do Brasil, Bradesco, Citibank, HSBC, Itaú e Santander. Ao final, quatro instituições foram selecionadas para estruturar os fundos e as operações.
O modelo prevê que cada instituição financeira atue em uma ou mais cadeias estratégicas, conforme sua capacidade de mobilizar capital privado.
A distribuição por setor mostra onde está o dinheiro:
- Circularidade de resíduos minerais e industriais — R$ 11 bilhões, o maior potencial da rodada
- Reciclagem e valorização de resíduos — R$ 8,8 bilhões
- Automação, robótica e manufatura inteligente — cerca de R$ 8,11 bilhões
- Biofertilizantes, bioinsumos e biodefensivos — R$ 7,2 bilhões
- Baterias e sistemas de armazenamento de energia — R$ 4,55 bilhões
Do capital público catalítico destinado à rodada, R$ 9 bilhões irão aos fundos de inovação e R$ 4,2 bilhões ao crédito corporativo.
Como funciona o "blended finance"
O mecanismo central do programa é o que o setor chama de blended finance, ou finanças combinadas. A ideia é usar dinheiro público para reduzir o risco de um projeto e, com isso, tornar viável a entrada de capital privado que de outro modo não apareceria.
Não é subsídio nem é empréstimo comum: o recurso público entra na posição que absorve o primeiro prejuízo, ou garante parte da operação, tornando o retorno do investidor privado mais previsível.
A estrutura busca ampliar o volume de recursos disponíveis sem transformar o dinheiro público em fonte prioritária de rentabilidade para as instituições financeiras — distinção que separa esse desenho de um simples repasse subsidiado.
A alavancagem global do leilão ficou em aproximadamente 3,8 vezes. Na prática, cada R$ 1 de recursos públicos catalíticos deverá ajudar a mobilizar quase R$ 4 em capital público e privado.
Obrigação de financiar pesquisa
Além dos fundos e das linhas de crédito, os bancos selecionados terão de destinar recursos não reembolsáveis — ou seja, a fundo perdido — à pesquisa aplicada e ao empreendedorismo de base tecnológica.
A previsão é de pelo menos R$ 250 milhões em doações no primeiro ano para universidades e instituições científicas, tecnológicas e de inovação.
É um item incomum em leilão financeiro, e revela a intenção de ligar o capital à produção de conhecimento local, em vez de apenas financiar tecnologia pronta importada.
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