Economia

Leilão do Eco Invest atrai quase R$ 50 bilhões para projetos verdes

Quinta rodada selecionou quatro bancos para estruturar fundos e crédito. Cada R$ 1 público deve mobilizar quase R$ 4 em capital público e privado.
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Redação Bastidor Brasil
Publicado em 8 de outubro de 2026 às 08:11 · 2 min de leitura
Leilão do Eco Invest atrai quase R$ 50 bilhões para projetos verdes
Painéis solares em projeto de energia limpa — Foto: Soninha Vill/GIZ/Agência Brasil

O 5º leilão do Eco Invest Brasil atraiu quase R$ 50 bilhões em potencial de investimentos verdes. O resultado foi homologado pelo Comitê Executivo do programa, formado por representantes dos ministérios da Fazenda e do Meio Ambiente e Mudança do Clima.

Os recursos serão direcionados a fundos de inovação, crédito corporativo e projetos de pesquisa aplicada e empreendedorismo de base tecnológica.

Quem disputou e quem levou

Participaram da disputa Banco do Brasil, Bradesco, Citibank, HSBC, Itaú e Santander. Ao final, quatro instituições foram selecionadas para estruturar os fundos e as operações.

O modelo prevê que cada instituição financeira atue em uma ou mais cadeias estratégicas, conforme sua capacidade de mobilizar capital privado.

A distribuição por setor mostra onde está o dinheiro:

  • Circularidade de resíduos minerais e industriais — R$ 11 bilhões, o maior potencial da rodada
  • Reciclagem e valorização de resíduos — R$ 8,8 bilhões
  • Automação, robótica e manufatura inteligente — cerca de R$ 8,11 bilhões
  • Biofertilizantes, bioinsumos e biodefensivos — R$ 7,2 bilhões
  • Baterias e sistemas de armazenamento de energia — R$ 4,55 bilhões

Do capital público catalítico destinado à rodada, R$ 9 bilhões irão aos fundos de inovação e R$ 4,2 bilhões ao crédito corporativo.

Como funciona o "blended finance"

O mecanismo central do programa é o que o setor chama de blended finance, ou finanças combinadas. A ideia é usar dinheiro público para reduzir o risco de um projeto e, com isso, tornar viável a entrada de capital privado que de outro modo não apareceria.

Não é subsídio nem é empréstimo comum: o recurso público entra na posição que absorve o primeiro prejuízo, ou garante parte da operação, tornando o retorno do investidor privado mais previsível.

A estrutura busca ampliar o volume de recursos disponíveis sem transformar o dinheiro público em fonte prioritária de rentabilidade para as instituições financeiras — distinção que separa esse desenho de um simples repasse subsidiado.

A alavancagem global do leilão ficou em aproximadamente 3,8 vezes. Na prática, cada R$ 1 de recursos públicos catalíticos deverá ajudar a mobilizar quase R$ 4 em capital público e privado.

Obrigação de financiar pesquisa

Além dos fundos e das linhas de crédito, os bancos selecionados terão de destinar recursos não reembolsáveis — ou seja, a fundo perdido — à pesquisa aplicada e ao empreendedorismo de base tecnológica.

A previsão é de pelo menos R$ 250 milhões em doações no primeiro ano para universidades e instituições científicas, tecnológicas e de inovação.

É um item incomum em leilão financeiro, e revela a intenção de ligar o capital à produção de conhecimento local, em vez de apenas financiar tecnologia pronta importada.

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