Filmes e Séries

Karim Aïnouz lança Rosebush Pruning com Elle Fanning e Pamela Anderson

Segundo filme em inglês do diretor cearense chega aos cinemas brasileiros em 15 de outubro. Ele diz que não molda o trabalho para o mercado estrangeiro.
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Redação Bastidor Brasil
Publicado em 7 de outubro de 2026 às 14:01 · 2 min de leitura
Karim Aïnouz lança Rosebush Pruning com Elle Fanning e Pamela Anderson

Rosebush Pruning, segundo filme em língua inglesa do cearense Karim Aïnouz, chega aos cinemas brasileiros em 15 de outubro, com distribuição da MUBI em parceria com a Filmes do Estação. O longa fez sua pré-estreia nacional no Festival do Rio 2026.

Produzido no Reino Unido, o filme reúne um elenco de nomes conhecidos: Callum Turner, Riley Keough, Elle Fanning, Jamie Bell e Pamela Anderson.

A trama

Uma família aristocrática construída sobre relações perturbadoras tem suas dinâmicas abaladas quando o irmão mais velho, vivido por Jamie Bell, traz para casa uma nova namorada, personagem de Elle Fanning.

Com teatralidade e erotismo, o filme combina o tom característico do diretor com um texto que transita entre a sátira e a tragédia sem muita hesitação.

"Se eles quisessem alguém que faz do jeito deles, contratavam diretores de lá"

Aïnouz diz não acreditar em moldar o próprio trabalho para o mercado estrangeiro. "Se eles quisessem alguém que faz do jeito deles, contratavam diretores de lá", afirmou em entrevista ao site Omelete durante o Festival do Rio.

Segundo ele, a principal diferença no ecossistema do filme de língua inglesa é o tempo de preparação. "Às vezes, o ator chega na véspera da filmagem, faz uma prova de figurino, e pronto. Comigo não, eu tento sempre resguardar o tempo da preparação, que eu acho que talvez é o que faz o nosso cinema especial", disse.

Sobre a dificuldade específica deste projeto, ele usou uma imagem musical: "A maior dificuldade foi trabalhar dentro desse espaço: como é que você toca tango e dança com ritmo de samba?". E explicou a função do erotismo no filme, que tem muito diálogo: ele virou "uma forma de trazer esse elemento da presença, do corpo, em vez de ficar só na fala".

Quanto ao elenco, o diretor atribui a adesão de atores desse porte à combinação entre texto e método. Para intérpretes acostumados a uma tradição de cinema realista, diz ele, um texto não naturalista, com personagens mais fantasiosos, "vira objeto de fascinação" — e, acrescenta, "na hora que você é colocado numa situação de risco, é o que mais te dá prazer".

Um diretor brasileiro trabalhando fora, sem deixar de ser daqui

Aïnouz construiu carreira no cinema brasileiro antes de passar a dirigir produções internacionais, e é hoje um dos nomes do país com circulação mais constante nos grandes festivais europeus.

O ponto que ele levanta na entrevista é menos óbvio do que parece. A leitura comum é que um diretor que trabalha fora precisa se adaptar ao modo de produção local. Ele propõe o contrário: o que o faz ser chamado é justamente o método que trouxe do Brasil — tempo de ensaio, discussão de personagem, atores dedicados a um projeto de cada vez.

"O cinema brasileiro contemporâneo tem retratos de personagens muito reais, e esses personagens a gente só consegue encontrar no dia a dia", afirmou.

Fontes consultadas
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