Jornalistas sofreram mais de 14 mil ataques no 1º turno das eleições

Jornalistas foram alvo de mais de 14 mil ataques nas redes sociais durante o primeiro turno das eleições de 2026, segundo relatório divulgado pela Coalizão em Defesa do Jornalismo (CDJor). O trabalho foi feito em parceria com o Laboratório de Internet e Ciência de Dados da Universidade Federal do Espírito Santo (Labic/UFES) e com o Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio (ITS Rio).
Os pesquisadores analisaram cerca de 3,7 milhões de publicações. Na última semana antes da votação, a média de ataques chegou a 327 por dia, o que indica uma escalada nos dias finais da campanha.
Mulheres são maioria dos alvos
Quando analisados os ataques dirigidos a profissionais específicos, as jornalistas mulheres aparecem como principais alvos. Elas concentraram 64,8% das agressões registradas.
Impacto coletivo
Para a coordenadora jurídica da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), Leticia Kleim, o problema afeta não só as vítimas diretas. Segundo ela, as campanhas de descrédito e intimidação prejudicam a sociedade, porque tentam silenciar o trabalho de jornalistas em um período em que a imprensa tem papel central na democracia.
A coalizão afirma que o relatório mostra um cenário preocupante, com enxurrada de ataques digitais que buscam descredibilizar reportagens e intimidar profissionais.
Por que medir importa
Sem números, o problema fica difuso. O levantamento transforma milhares de publicações em um retrato do período eleitoral, o que permite cobrar explicações das plataformas e dos responsáveis pelos ataques. A pesquisa mostra que a violência digital contra a imprensa não é um episódio isolado, mas um padrão que cresce à medida que a eleição se aproxima.
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