Inflação dos EUA acelera a 3,7% e divide mercado sobre juros do Fed

A inflação ao consumidor dos Estados Unidos acelerou em setembro e reacendeu a discussão sobre uma nova alta de juros pelo Federal Reserve (Fed), o banco central americano, ainda em outubro. A pressão dos combustíveis veio acompanhada de um avanço do núcleo do índice acima do esperado, segundo a CNN Brasil.
Os números do CPI
O Índice de Preços ao Consumidor (CPI, na sigla em inglês) subiu 0,6% no mês, em linha com as expectativas, depois de 0,4% em agosto. No acumulado de 12 meses, a inflação passou de 3,4% para 3,7%, acima dos 3,6% projetados pelo mercado.
O núcleo, que exclui itens voláteis, repetiu a alta mensal de 0,3% de agosto, frustrando a expectativa de desaceleração. Em 12 meses, subiu de 2,4% para 2,6%, também acima dos 2,5% esperados. A moradia avançou 0,4% em setembro, e os preços de carros e caminhões usados subiram 0,7%.
Reação do mercado
Antes da divulgação, na manhã desta quarta-feira (14), a ferramenta FedWatch, do CME Group, indicava 22% de chance de alta de juros na reunião de 28 de outubro. Logo após o dado, a probabilidade passou para 52%, e o número oscilou ao longo da manhã.
Segundo William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, os rendimentos dos títulos do Tesouro americano voltaram a subir, o que também impulsionou o dólar e pressionou as bolsas dos EUA.
O papel do petróleo
Para Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, o petróleo segue como variável decisiva. Ele avalia que a permanência do Brent acima de US$ 100, pressionado pelo conflito no Oriente Médio, prolonga o choque e amplia o risco de repasse a outros preços. A Suno mantém a expectativa de nova alta de juros ainda neste ano.
Stephan Kautz, economista-chefe da EQI Investimentos, vê uma composição pior nos serviços, "ruim para a política monetária". Ele pondera, porém, que os sinais dados por integrantes do Fed vão contra uma alta em outubro, por causa da diferença entre o CPI e o PCE, outro indicador de inflação, que oscila em patamar mais baixo.
A decisão depende do conjunto dos dados e das próximas sinalizações do Fed. As probabilidades do FedWatch são estimativas de mercado, e não uma decisão do banco central.
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