Funk estreia no Brasil com Duda Santos como uma MC do Rio

Entre os documentários sobre ícones da música brasileira que integram a programação do Festival do Rio 2026, um filme de ficção se destacou na mostra Première Brasil: Funk, de Aly Muritiba, que teve no festival suas primeiras sessões no Brasil.
O longa é protagonizado por Duda Santos, atriz projetada nacionalmente em novelas como "Garota do momento" e a atual "A nobreza do amor".
A história: mãe e filha, duas gerações do funk
Duda Santos interpreta MC Sabrina, jovem cantora carioca de funk. O conflito central da trama é familiar e geracional: Sabrina é filha de uma artista pioneira do gênero, MC Priscila, personagem de MC Nem, e vive em conflito com a mãe, com quem mora no Morro dos Prazeres, comunidade no bairro de Santa Teresa, no Rio de Janeiro.
Essa estrutura — a filha que entra no mesmo ofício da mãe e precisa negociar com a herança dela — permite ao filme percorrer a própria história do gênero, das pioneiras dos anos 1990 ao funk que circula hoje.
O elenco inclui os cantores TZ da Coronel e Lellê, entre outros nomes, movimento comum em filmes sobre música brasileira, em que artistas do próprio meio dão lastro às cenas de palco.
De Nova York ao Rio
O filme estreou mundialmente em junho, como parte da programação do Festival de Cinema de Tribeca, em Manhattan, Nova York. Fundado em 2002, o Tribeca é uma das vitrines mais relevantes para produções independentes e costuma funcionar como porta de entrada para distribuição internacional.
No Brasil, porém, a estreia foi reservada ao Festival do Rio — e a escolha tem lógica própria, já que a cidade é o berço do estilo cantado pela protagonista. Lançar um filme sobre funk carioca em Nova York antes do Rio seria estranho; fazer a estreia nacional no festival da própria cidade fecha o circuito.
Aly Muritiba e o funk no cinema brasileiro
Muritiba é um diretor com trajetória em festivais, conhecido por filmes que trabalham tensões sociais a partir de histórias familiares. A escolha de um recorte íntimo — a relação entre mãe e filha — para tratar de um gênero musical inteiro é coerente com esse percurso.
O funk carioca tem uma relação longa e desigual com o cinema nacional. Apareceu por décadas sobretudo como trilha ou como pano de fundo de narrativas sobre violência urbana, raramente como assunto em si, e menos ainda a partir do ponto de vista de quem o produz.
Filmes que colocam artistas do gênero no centro — e que tratam a carreira musical como ofício, com suas disputas e hierarquias — ainda são minoria. É nesse espaço que Funk se insere, e é o que faz da estreia no Festival do Rio mais do que uma exibição a mais na programação.
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