França tem o maior dia de protestos estudantis, com 1,8 mil escolas paradas

Alunos e professores protestaram em toda a França no maior dia de mobilização desde o início da onda de manifestações. A União dos Estudantes do Ensino Médio informou que 1,8 mil escolas estavam bloqueadas ou fechariam durante o dia.
Em Marselha, Nantes e Lyon, os atos começaram pacificamente no meio da manhã, com a maior manifestação prevista para Paris, à tarde. Os jovens erguiam sinalizadores de fumaça e cartazes com frases como “Sob nossos livros escolares, raiva” e “Onde estão os políticos? Será que eles sabem que existimos?”
Como chegou até aqui
As manifestações vêm de duas semanas de protestos que começaram nos subúrbios carentes de Paris antes de se espalharem pelo país. O governo respondeu com polícia de choque, afirmando que o movimento havia se transformado em violência urbana.
O episódio mais grave
Na segunda-feira (5), um adolescente de 15 anos teve a mão e parte do antebraço arrancadas em confronto com a polícia de choque, no norte da França.
François-Xavier Lauch, prefeito de Pas-de-Calais, recusou-se a comentar as circunstâncias exatas, afirmando que de 200 a 250 manifestantes atiravam objetos contra a polícia. O jornal regional *La Voix du Nord* informou que o jovem perdeu o membro após pegar uma granada de dispersão da polícia.
Os números das prisões
Segundo o Ministério do Interior, 6,1 mil pessoas foram presas desde o início dos protestos — a esmagadora maioria, menores de idade. O Ministério da Justiça informa que mais de 1,8 mil pessoas estão sendo processadas, incluindo 1.483 menores, sem especificar os crimes.
O que o governo prometeu
O primeiro-ministro Sébastien Lecornu determinou que seus ministros atendam às principais reivindicações dos estudantes:
- garantir a substituição de professores ausentes
- rever a duração do dia letivo, hoje das 8h às 18h
- intervalos de almoço mais longos
- avaliar os reparos necessários em prédios escolares antigos
Lecornu exigiu as primeiras propostas até o fim de outubro.
“Quando a resposta é a violência, isso significa que a democracia não está mais funcionando” — Hugo Vetzel, recém-formado do ensino médio em Estrasburgo
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