FMI reduz previsão de crescimento da América Latina para 2,3% em 2026

O Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu a projeção de crescimento da América Latina e do Caribe para 2026. A nova estimativa é de 2,3% para o ano, abaixo dos 2,4% previstos em julho. Para 2027, a previsão caiu de 2,7% para 2,5%.
A revisão contrasta com o cenário global. O FMI elevou a projeção de crescimento mundial de 3% para 3,1% neste ano, em um movimento que o organismo atribui à resiliência da economia mundial, mesmo marcada por fragmentação.
Energia pressiona a região
Segundo o fundo, a guerra no Oriente Médio transformou o petróleo em um choque inflacionário global. O preço do Brent está cerca de 45% acima do nível anterior ao conflito. O aumento dos custos de combustível e energia pressiona famílias e empresas, e o temor de inflação persistente elevou o custo global do financiamento a níveis não vistos há muitas décadas.
Exportadores e importadores
Na América Latina, o efeito do choque depende de dois fatores. O primeiro é se os ganhos dos exportadores de commodities compensam as perdas dos países que importam energia. O segundo é a credibilidade das metas de inflação dos bancos centrais da região.
O FMI também afirma que há pouca compensação vinda da recuperação do setor tecnológico na maioria dos países latino-americanos. O crescimento do setor de inteligência artificial, que ajudou a sustentar a economia mundial, não se traduziu em ganhos amplos para a região.
Impacto no Brasil
Para o Brasil, o cenário significa uma economia que cresce, mas com menos fôlego, e com juros e custos de crédito que tendem a permanecer elevados enquanto a inflação preocupar. O país é exportador de petróleo e de alimentos, o que amortece parte do choque, mas o preço da gasolina e do diesel segue como fator de pressão para o orçamento das famílias.
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