FAO escolhe Embrapa como centro de referência em florestas plantadas

A Embrapa Florestas foi designada pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, a FAO, como Centro de Referência em florestas plantadas. A unidade é uma das que compõem a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária.
Segundo a FAO, a designação busca aproveitar conhecimentos científicos, técnicos e de políticas já reconhecidos no setor florestal. As instituições designadas colaboram com a organização na troca de conhecimentos em suas áreas de atuação, fornecendo assessoria técnica, dados, pesquisas, treinamento e transferência de tecnologia à agência e aos seus Estados-membros.
No caso da Embrapa Florestas, a cooperação deverá se concentrar no desenvolvimento de florestas plantadas produtivas, resilientes e de baixa emissão de carbono, integradas a sistemas agropecuários, além de atender a demandas de cooperação internacional.
O que são florestas plantadas, e por que importam
Floresta plantada não é mata nativa: é área cultivada com espécies escolhidas, geralmente para produção de madeira, celulose, carvão ou resina. A distinção é importante porque as duas cumprem funções diferentes — a nativa conserva biodiversidade, a plantada abastece a indústria e, bem manejada, reduz a pressão de corte sobre a floresta natural.
Segundo dados da FAO de 2025, as florestas plantadas ocupam cerca de 304 milhões de hectares no mundo. Desse total, 157 milhões de hectares correspondem a plantações florestais intensivas, predominantemente destinadas à produção.
A China concentra a maior área, seguida por Estados Unidos, Rússia, Canadá, Índia, Brasil, Japão e Suécia.
No Brasil, dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística apontam cerca de 10,4 milhões de hectares de florestas plantadas. O eucalipto e o pinus são as espécies mais cultivadas, ao lado de araucária, acácia, seringueira, erva-mate, teca, paricá, mogno-africano, castanha-do-brasil e cedro-australiano.
As áreas em que o centro vai atuar
O Centro de Referência da Embrapa Florestas vai operar sob demanda e mediante captação conjunta de recursos. Entre as competências previstas estão:
- silvicultura e manejo florestal sustentável
- sistemas integrados de produção
- melhoramento genético
- sanidade florestal e controle biológico de pragas
- métricas de carbono e mitigação de gases de efeito estufa
- bioeconomia florestal e química verde
A inclusão de métricas de carbono não é detalhe: a contabilidade de quanto uma floresta plantada efetivamente retira e armazena de carbono é hoje um dos pontos mais disputados nos mercados de crédito de carbono, e depende de metodologia reconhecida internacionalmente para ter valor.
"Selo de excelência"
O diretor-geral adjunto da FAO e diretor da Divisão Florestal, Zhimin Wu, afirmou em comunicado que a designação dos primeiros centros de referência da organização na área florestal representa um avanço na mobilização de conhecimento científico e técnico diante dos desafios que as florestas enfrentam.
"Ao conectar conhecimentos especializados às necessidades dos países, podemos acelerar o intercâmbio de conhecimento e a inovação, além de ajudar a transformar a ciência em soluções práticas", disse.
Para a presidente da Embrapa, Silvia Massruhá, a designação funciona como um selo de excelência, permitindo que o país colabore na capacitação técnica, no intercâmbio de conhecimento e no desenvolvimento de projetos conjuntos com a FAO.
"São quase 50 anos de pesquisas e de ciência para o desenvolvimento florestal, que hoje se traduzem neste reconhecimento, em que a Embrapa poderá tanto ajudar outros países como também fortalecer trabalhos e redes de cooperação dentro do Brasil", afirmou.
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