Ex-chefes de segurança pública se elegem e Derrite bate recorde de votos

Gestores que comandaram pastas de segurança pública nos estados foram eleitos para a Câmara, o Senado e assembleias legislativas no pleito de domingo (4), em um ciclo marcado pela centralidade do tema no debate nacional.
O mais votado deles foi Guilherme Derrite, eleito senador pelo PP em São Paulo com 13.271.916 votos — o maior número da história do país. Policial militar de carreira, Derrite foi secretário de Segurança Pública do estado mais populoso do Brasil.
Outros dois ex-secretários foram eleitos no Rio de Janeiro, para cargos diferentes. O delegado Felipe Curi (PP) foi eleito deputado federal com 133.626 votos. Ele foi secretário da Polícia Civil e coordenador da operação Contenção, nos complexos da Penha e do Alemão, em outubro de 2025 — ação que deixou 122 mortos e foi considerada exitosa pelo delegado. Também participante da operação, o coronel Menezes (PL) se candidatou a deputado estadual no Rio e foi eleito com 46.700 votos; ele comandou a secretaria da Polícia Militar no mesmo período.
O ex-secretário de Segurança Pública de Mato Grosso, coronel Roveri (Podemos), deixou o cargo para disputar a eleição e foi eleito deputado federal com 47.195 votos.
Nas disputas estaduais, o delegado Ulisses Gabriel (PL) foi eleito deputado estadual por Santa Catarina. Ele foi delegado-geral do estado e enfrentou crise durante o caso conhecido como "Cão Orelha". O coronel Ribeiro (PSD), ex-comandante-geral da Polícia Militar e ex-secretário de Segurança de Sergipe, também foi eleito deputado estadual.
Nem todos conseguiram. Entre os que tentaram e não se elegeram estão o ex-secretário de segurança do Distrito Federal, Sandro Avelar (União), Orlando Morando (MDB), ex-secretário municipal de segurança em São Paulo, e o coronel Douglas Caus (Podemos), ex-comandante-geral da Polícia Militar do Espírito Santo.
O desempenho desse grupo corre em paralelo ao avanço da segurança pública no topo das preocupações do eleitorado. A pesquisa Quaest mais recente, de outubro deste ano, aponta que 31% dos entrevistados consideram a falta de segurança o principal problema do país, à frente de todas as outras áreas.
Na sequência aparecem os problemas sociais, com 17%, a economia, com 16%, a corrupção, com 14%, a saúde, com 11%, a educação, com 6%, e o medo de uma guerra, com 3%.
A chegada desses nomes ao Legislativo tende a reforçar a pauta de combate ao crime nas duas Casas do Congresso e nas assembleias a partir do ano que vem.
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