Evangélicos são disputados na eleição, mas rejeitam igreja como palanque

Evangélicos e cristãos em geral estão no centro da disputa política nas eleições de 2026, como estiveram em pleitos anteriores. Mas a maioria rejeita que as igrejas virem espaço de campanha ou que lideranças religiosas indiquem em quem os fiéis devem votar.
Isso não significa religião fora da política
Para a pesquisadora Lívia Reis, do Iser, a influência hoje ocorre menos pela transferência direta de votos e mais pela formação de valores, identidades e pertencimentos.
“É mais correto falar em mediação religiosa do voto”
O que mudou nas comunidades
Segundo a pesquisadora, a politização dos templos — comum nas eleições legislativas desde os anos 1990 e intensificada nas presidenciais a partir de 2018 — gerou fortes divisões internas.
Os fiéis passaram a entender que podem formar opinião política sem influência direta da liderança.
“A presença forte de lideranças no debate eleitoral não contradiz esse dado. Ela mostra que essas lideranças atuam para além do templo: na mídia, nas redes, no Parlamento. Além disso, a indicação de voto não é uniforme”
A pesquisadora aponta que a indicação se concentra em algumas denominações específicas, não no conjunto.
O custo interno
Lideranças relatam o trauma deixado nas comunidades pelo impacto do discurso eleitoral e pela divisão que ele provocou dentro das igrejas.
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