Estudo aponta 81 profissões em retração no Brasil em seis anos

Um estudo da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) identificou 81 profissões que encolheram no mercado formal brasileiro nos últimos seis anos. O levantamento foi feito a pedido do jornal Estadão.
A conta parte de 500 ocupações, que juntas respondem por mais de 90% do emprego com carteira assinada no setor privado. Dessas, 81 registraram queda no estoque de empregados — cerca de 16% do total.
Quem mais perdeu vagas
Em números absolutos, entre fevereiro de 2020 e junho de 2026:
- supervisor administrativo — 142,8 mil vagas a menos
- gerente administrativo — 93,9 mil
- gerente de loja e supermercado — 85,1 mil
- supervisor de vendas comercial — 68,8 mil
- gerente de vendas — 46,8 mil
Em termos proporcionais, a lista muda: supervisor de cobrança encabeça, com retração de 41,7% no período, seguido por supervisor de telemarketing e atendimento, com 41,1%.
O que os cargos da lista têm em comum
Quase todos são de supervisão e coordenação, em funções ligadas ao setor de serviços. São cargos cujo trabalho consistia, em boa parte, em reunir informação, conferir e repassar — exatamente o que planilha integrada, sistema de gestão e, mais recentemente, inteligência artificial passaram a fazer sozinhos.
"Cerca de 16% das principais profissões brasileiras já foram afetadas por uma combinação de novas demandas do fator trabalho com tecnologia", diz o economista-chefe da CNC, Fabio Bentes, responsável pelo estudo.
O salário também caiu
Segundo o estudo, essas mesmas ocupações tiveram queda de 43,2% no salário real de admissão no período, já descontada a inflação medida pelo INPC. É um sinal de que a procura por esses profissionais caiu — quando sobra candidato, o salário de entrada cede.
Como o número foi apurado
A base usada foi o estoque de empregados da RAIS, do Ministério do Trabalho, atualizado mês a mês pelo saldo do Caged. Foram considerados apenas trabalhadores do setor privado — o que deixa de fora servidores públicos e trabalho informal, que no Brasil não é pouco.
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