Tecnologia

Estudo acha 568 anúncios eleitorais irregulares na Meta no dia do voto

Levantamento do NetLab/UFRJ também encontrou peças que simulavam o TSE e prometiam voto pelo celular, pedindo CPF. Kwai, Google, TikTok e YouTube também falharam.
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Redação Bastidor Brasil
Publicado em 7 de outubro de 2026 às 08:20 · 3 min de leitura
Estudo acha 568 anúncios eleitorais irregulares na Meta no dia do voto
Ícones de redes sociais na tela de um celular — Foto: Marcello Casal jr/Agência Brasil

Levantamento do Observatório das Big Techs, do NetLab da Universidade Federal do Rio de Janeiro, identificou anúncios eleitorais irregulares na Meta, no Kwai e no Google no dia da votação, além de recomendações indevidas de vídeos de candidatos pelo TikTok e pelo YouTube.

Pelas regras do Tribunal Superior Eleitoral, a circulação paga ou impulsionada de propaganda eleitoral na internet é proibida desde 48 horas antes até 24 horas depois da eleição. A norma também determina que plataformas com sistemas de recomendação excluam desses mecanismos os canais e perfis de candidatos informados à Justiça Eleitoral.

568 anúncios na Meta — e seis que fingiam ser o TSE

O monitoramento encontrou 568 anúncios veiculados de forma irregular nas plataformas da Meta — Instagram, Facebook, WhatsApp, Messenger e Audience Network — durante o período analisado.

Seis dessas peças são o caso mais grave. Elas simulavam comunicações do próprio TSE, usando nomes e elementos visuais associados à Justiça Eleitoral, e divulgavam uma suposta possibilidade de votar remotamente, pelo celular ou de casa. Isso não existe.

Os anúncios apresentavam o falso voto digital como modalidade oficial e mencionavam situações como problemas de saúde, dificuldade de locomoção e fortes chuvas para estimular o uso do serviço. Em alguns casos, o usuário era direcionado a sites que pediam o CPF para iniciar a suposta votação — estrutura que, além de desinformar sobre o processo eleitoral, coleta dado pessoal sob pretexto falso.

Kwai, Google e os sistemas de recomendação

No Kwai, o NetLab identificou 18 anúncios eleitorais ativos no dia da votação e outros quatro classificados como "em pausa" no repositório da plataforma — três deles haviam circulado durante o período de resguardo, entre 1º e 3 de outubro.

O laboratório encontrou ainda 45 anúncios cuja data final de circulação teria sido estendida até o dia da votação, associados a dez páginas de candidaturas: peças que terminariam no dia 3 seguiam registradas como ativas no dia 4. Os pesquisadores ressalvam que não foi possível confirmar integralmente o caso, por divergências entre os dados exportados pelo Kwai e as informações exibidas na própria biblioteca de anúncios.

No Google, o monitoramento localizou um anúncio já identificado em 3 de outubro que permanecia ativo de forma irregular na infraestrutura de publicidade da empresa.

Além da publicidade paga, foram acompanhados os sistemas de recomendação. Entre os dias 3 e 4 de outubro, o TikTok recomendou 18 vídeos de sete candidatos, e o YouTube, 17 vídeos de seis candidatos. No Instagram não foram encontradas recomendações de vídeos publicados por candidatos.

A fiscalização esbarra nos dados das próprias plataformas

O NetLab afirma que limitações impostas pelas big techs dificultam tanto a fiscalização quanto a responsabilização por eventuais irregularidades.

No caso da Meta, o laboratório identificou divergências entre os dados apresentados na interface da Biblioteca de Anúncios e aqueles obtidos pela ferramenta de programação da empresa: havia anúncios classificados como "inativos" na interface que, simultaneamente, apareciam em listagens de anúncios ativos.

O problema é estrutural. A auditoria externa de propaganda eleitoral depende quase inteiramente das bibliotecas de anúncios que as próprias plataformas mantêm — se o repositório diverge de si mesmo, o pesquisador não tem como afirmar com segurança o que circulou e por quanto tempo.

O monitoramento foi feito com buscas manuais e computacionais, a partir de termos relacionados às candidaturas e às eleições, pelas interfaces das bibliotecas de anúncios e via API, ferramenta que dá acesso a uma espécie de banco de dados oficial dessas redes.

Fontes consultadas
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