Estudantes marcham no centro do Rio em ato pelo voto em Lula

Estudantes secundaristas e universitários de diferentes instituições fizeram um ato no centro do Rio de Janeiro em defesa do voto em Lula no segundo turno. A manifestação começou no início da tarde na Candelária e seguiu em caminhada pela Avenida Rio Branco até a Cinelândia.
Entre os temas defendidos estavam a educação pública, o fim da escala 6x1, a manutenção dos direitos sociais e a defesa da democracia.
O que os manifestantes disseram
Estudante de direito da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Paulo Victor de Almeida Coelho ligou o voto à expectativa de futuro. "Nós queremos mais investimentos, condições para que todos possam estudar e se formar em uma faculdade pública", disse.
Ele também justificou a presença na rua pela comparação com o governo anterior: "Estamos na luta porque vimos o que foi o governo Bolsonaro. Foi um governo de cortes, um governo onde as pessoas estavam sendo massacradas, passando fome, tendo direitos perseguidos".
Raissa Bispo, de 21 anos, estudante de Design na Escola de Belas Artes da UFRJ, apontou o que considera uma ameaça institucional. "Ele próprio declarou ontem que quer mudar a Constituição, o que é uma ameaça para a gente, é uma ameaça para os nossos direitos", afirmou, referindo-se a Flávio Bolsonaro. "Importante a gente estar aqui para lutar pela soberania e lutar pelos nossos direitos."
Do outro lado, o apoio do agronegócio
O ato acontece em meio à movimentação de apoios no campo adversário. Na terça-feira (6), em Goiânia, durante encontro com empresários e representantes do agronegócio, Flávio Bolsonaro recebeu o apoio do ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD).
Caiado classificou a decisão como coerente com sua trajetória de oposição ao PT: "O que nós queremos é que você devolva o Brasil aos brasileiros. Vou entrar de corpo inteiro, por convicção".
Flávio afirmou que as campanhas têm pontos de convergência e recebeu do ex-governador um documento com propostas para um eventual governo. "Esse apoio que recebo agora é importante. É mais que política, é sentimental", disse. O candidato também afirmou que pretende se inspirar nas políticas de segurança pública de Goiás e de São Paulo e defendeu o endurecimento de penas.
Na mesma semana, a Frente Parlamentar da Agropecuária no Congresso declarou apoio a Flávio Bolsonaro no segundo turno.
Duas bases se organizando
O contraste entre os dois movimentos descreve o desenho da disputa que se abre. De um lado, mobilização de rua de estudantes em capital onde a educação pública e a pauta trabalhista são bandeiras organizadas; de outro, adesões de lideranças políticas e setoriais com capacidade de arrastar votos no interior.
São formas diferentes de converter apoio em voto — a primeira depende de comparecimento e engajamento; a segunda, de máquina e de indicação.
O segundo turno está marcado para 25 de outubro.
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