Mundo

Espanha terá primeira greve geral em 14 anos por causa da habitação

Centrais UGT e CCOO param 24 horas no dia 11. Sánchez já antecipou eleições para 29 de novembro depois de o Parlamento derrubar decretos sobre moradia.
Compartilhe:
Redação Bastidor Brasil
Publicado em 8 de outubro de 2026 às 08:11 · 2 min de leitura
Espanha terá primeira greve geral em 14 anos por causa da habitação
Congresso dos Deputados, sede do Parlamento espanhol, em Madri — Foto: Juan Sanchez Gil, for The European Times/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

A Espanha terá no dia 11 a primeira greve geral em 14 anos, convocada por causa da habitação. A paralisação será de 24 horas e foi acertada entre as duas maiores centrais sindicais do país, a UGT e a CCOO.

A mobilização responde a um apelo das associações reunidas na Confederação de Sindicatos de Inquilinas, que defendem o direito à moradia e levam milhares de pessoas às ruas em protestos diários desde 23 de setembro.

"Vamos nos juntar no dia 11, tal como todos estes coletivos têm vindo a definir, com a convocatória de uma greve geral", disse o secretário-geral da UGT, Pepe Álvarez, que resumiu a pauta como "salários dignos para uma moradia digna".

A crise derrubou decretos e antecipou eleições

O pano de fundo é político. Na segunda-feira (5), o presidente do governo, Pedro Sánchez, convocou eleições para 29 de novembro.

A decisão do socialista veio dois dias depois de o Parlamento espanhol derrubar decretos com medidas para a habitação, e na sequência dos protestos diários contra ações de despejo.

A sequência explica o tamanho do problema: um governo que perde no Parlamento justamente a pauta que está nas ruas fica sem instrumento para responder à pressão — e antecipar a eleição passa a ser a saída disponível.

Empresários e oposição contestam o momento

As associações empresariais criticaram o anúncio da greve, lançando dúvidas sobre sua legalidade — por considerarem que não se trata de uma questão laboral — e questionando o oportunismo da convocação, feita logo depois de o governo marcar eleições.

Para o presidente da Confederação Espanhola de Organizações Empresariais, Antonio Garamendi, a greve tem "claro componente político e eleitoral" e parece ter mais como alvo a oposição do que o próprio governo de Sánchez.

Os maiores partidos de oposição seguiram a mesma linha. O Partido Popular e o Vox destacaram o momento da convocação e o fato de ser a primeira greve geral desde que Sánchez chegou ao poder, em 2018.

"É uma decisão eminentemente política com a intenção de favorecer a ação política de Pedro Sánchez", afirmou o porta-voz do PP, Borja Sémper.

O partido sustenta que "os sindicatos acordaram" após oito anos de governos liderados pelo socialista, cujo "grande fracasso" seria justamente a habitação, com preços de imóveis e de aluguéis disparando nos últimos anos.

Por que moradia virou o centro da política espanhola

A disputa sobre a legalidade da greve revela o deslocamento em curso. Greve geral é instrumento historicamente ligado a salário, jornada e direitos trabalhistas; convocá-la por habitação significa tratar o custo da moradia como questão de trabalho — o argumento sindical é que salário digno perde sentido quando o aluguel consome a maior parte dele.

É uma disputa que não se resolve só na Espanha. Em várias capitais europeias, a alta dos aluguéis superou a dos salários na última década, e a moradia saiu da política urbana para o centro da política nacional.

No caso espanhol, ela agora define um calendário eleitoral inteiro.

Compartilhar: WhatsApp Facebook X Telegram

Leia também

O resumo do dia, no seu e-mail

Uma mensagem por dia com o que importa. Sem spam, e dá pra sair quando quiser.

Este site usa cookies para medir audiência e exibir publicidade. Ao continuar, você concorda. Saiba mais.