Dólar volta a R$ 5 com juro alto nos EUA e ajuste pós-eleitoral

O dólar voltou ao patamar de R$ 5. A moeda à vista fechou em alta de 0,83%, a R$ 5,016, depois de atingir a máxima de R$ 5,017 na reta final dos negócios. Na sessão anterior, havia registrado a menor cotação em quase cinco meses.
O movimento interrompeu dois pregões consecutivos de queda, período em que o dólar acumulou baixa de 4,65%. Mesmo com a alta, a moeda ainda registra queda de 3,94% na semana.
O que empurrou a moeda para cima
O principal fator veio de fora. A taxa dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos com prazo de dez anos chegou a 5,36% — o maior nível em 24 anos — antes de recuar para a região de 5,28%.
Esse número explica boa parte do dia. Quando o título mais seguro do mundo passa a pagar mais de 5% ao ano, investidores têm menos motivo para manter dinheiro em países emergentes, onde o retorno é maior mas o risco também. O resultado é saída de recursos do Brasil, o que pressiona o dólar para cima e a bolsa para baixo.
O índice DXY, que mede o desempenho da moeda americana contra uma cesta de seis divisas, subiu 0,36%, a 102,280.
Os investidores também avaliaram a ata da reunião de setembro do Federal Reserve, quando a taxa básica americana foi elevada para a faixa de 3,75% a 4%.
A bolsa cedeu, mas segue no azul no ano
O Ibovespa fechou em queda de 0,74%, aos 204.302,33 pontos, oscilando entre a mínima de 204.176,12 e a máxima de 206.877,47. O volume financeiro do pregão somou R$ 57,2 bilhões.
O índice interrompeu uma sequência de alta que veio na esteira da forte valorização registrada logo após o primeiro turno. Ainda assim, acumula alta de 9,64% no mês e de 26,8% em 2026 — números que colocam o desempenho do dia em perspectiva.
As bolsas americanas também fecharam no negativo: o S&P 500, índice das 500 maiores empresas dos Estados Unidos, caiu 0,22%.
Petróleo acima de US$ 100 segue no radar
Os preços do petróleo perderam força ao longo da tarde, mas o barril do tipo Brent para dezembro permaneceu acima de US$ 100, diante das novas tensões no Oriente Médio.
Para o Brasil, o petróleo caro tem efeito duplo e contraditório: melhora a balança comercial, já que o país exporta óleo bruto em volume crescente, mas pressiona combustíveis e, por tabela, a inflação interna.
O componente local do dia foi o ajuste pós-eleitoral. Depois da forte movimentação que se seguiu ao primeiro turno, parte dos investidores realizou ganhos — comportamento comum quando o mercado antecipa um cenário e depois acomoda a posição enquanto espera o desfecho.
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