Economia

Dívida bruta chega a 82,9% do PIB e passa de R$ 11 trilhões

Indicador subiu 0,4 ponto em um mês, puxado pelos juros. Só em agosto, a conta de juros foi de R$ 105,9 bilhões — R$ 31,6 bilhões a mais que um ano antes.
Compartilhe:
Redação Bastidor Brasil
Publicado em 30 de setembro de 2026 às 23:13 · 2 min de leitura
Dívida bruta chega a 82,9% do PIB e passa de R$ 11 trilhões
Edifício sede do Banco Central do Brasil (16011634694). Foto: Senado Federal / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

A Dívida Bruta do Governo Geral fechou agosto em 82,9% do Produto Interno Bruto, o equivalente a R$ 11,1 trilhões, segundo dados divulgados pelo Banco Central. Em julho o indicador estava em 82,5%, ou R$ 10,9 trilhões.

A alta de 0,4 ponto percentual em um mês não tem uma causa única, e vale separar as três que o próprio Banco Central aponta.

De onde veio o aumento

  • os juros nominais acrescentaram 0,8 ponto percentual ao indicador — é o item que mais pesa, e sozinho explica mais do que a alta total
  • a desvalorização do câmbio somou 0,1 ponto
  • o crescimento do PIB nominal puxou o índice para baixo em 0,5 ponto

Ou seja: a dívida subiu apesar de a economia ter crescido, porque a conta de juros correu mais rápido.

A conta de juros

Só em agosto, os juros somaram R$ 105,9 bilhões, contra R$ 74,3 bilhões no mesmo mês de 2025. Boa parte dessa diferença vem de um item que costuma passar despercebido: as operações de swap cambial, usadas pelo Banco Central para influenciar o dólar. Em agosto do ano passado elas deram ganho de R$ 19,9 bilhões; neste ano, perda de R$ 9,3 bilhões.

No acumulado de 12 meses, os juros nominais chegaram a R$ 1,182 trilhão, o equivalente a 8,86% do PIB.

O resultado primário melhorou

O número que mede as contas antes dos juros foi na direção oposta. O setor público consolidado — que reúne Governo Central, governos estaduais e municipais e estatais — registrou déficit primário de R$ 10 bilhões em agosto, melhor que os R$ 17,3 bilhões negativos de agosto de 2025.

Somando as duas coisas, o resultado nominal ficou negativo em R$ 115,9 bilhões no mês.

Por que esse número importa para quem não acompanha economia

A dívida bruta é um dos indicadores que investidores e agências de classificação olham para decidir a que custo o país consegue se financiar. Quando ela sobe de forma persistente, a tendência é o governo pagar juros mais altos — o que realimenta justamente o item que mais fez a dívida crescer em agosto.

Compartilhar: WhatsApp Facebook X Telegram

Leia também

O resumo do dia, no seu e-mail

Uma mensagem por dia com o que importa. Sem spam, e dá pra sair quando quiser.

Este site usa cookies para medir audiência e exibir publicidade. Ao continuar, você concorda. Saiba mais.