Dino manda PF apurar ataques a imagens religiosas em sete estados

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, determinou nesta quarta-feira (30) que a Polícia Federal investigue uma série de ataques a imagens religiosas registrados em diferentes cidades do país. Na mesma decisão, pediu que a Procuradoria-Geral da República avalie se há motivo para abrir um processo sobre o tema.
Dino afirma que os relatos chegaram ao gabinete dele por vários caminhos depois de uma decisão que tomou no domingo (27), e que apontam para o que chamou de uma aparente onda de ataques nos últimos meses.
"Chegaram ao Gabinete, por vários meios, notícias de várias partes do Brasil demonstrando uma aparente onda de ataques nos últimos meses contra imagens religiosas"
Os casos citados
O pedido do ministro lista oito episódios, em sete estados. São eles: a destruição de uma imagem em uma paróquia de Salvador; imagens de santos quebradas em uma loja de Londrina, no Paraná; imagens sacras destruídas dentro da Catedral de São Pedro, em Rio Grande, no Rio Grande do Sul; o vandalismo contra uma imagem de Nossa Senhora no bairro da Jatiúca, em Maceió; o ataque a um terreiro de umbanda na Grande Belo Horizonte; a destruição de uma imagem de Nossa Senhora Aparecida a machadadas em uma capela de Mato Grosso; a denúncia de uma mãe de santo contra um pastor por destruir um assentamento em um terreiro na Bahia; e uma imagem de Nossa Senhora Aparecida incendiada às margens da BR-163, em Novo Progresso, no Pará.
A lista mistura ataques a templos católicos e a terreiros de matriz africana.
O pano de fundo eleitoral
A decisão sai no mesmo dia em que o Tribunal Superior Eleitoral julga uma controvérsia ligada ao assunto. Começou com a circulação, nas redes sociais, de publicações que associavam o candidato Flávio Bolsonaro, do PL, e setores da direita a uma suposta intenção de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil.
O candidato nega que exista qualquer proposta nesse sentido e acusa a CNBB de participar da desinformação.
No domingo, Dino suspendeu no STF uma decisão do ministro André Mendonça, tomada no TSE, que mandava as redes sociais tirarem do ar as publicações. Houve recurso, e o ministro Luiz Fux suspendeu a determinação.
O que vem agora
Cabe à Polícia Federal apurar os casos e à PGR dizer se há base para um processo. Não há prazo divulgado para nenhuma das duas coisas, e até aqui não foi apontada ligação entre os episódios: são cidades distantes, alvos de religiões diferentes e circunstâncias que não se repetem.
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