Cristovão Bastos e Mauro Senise gravam tributo a Ary Barroso
O pianista Cristovão Bastos e o saxofonista e flautista Mauro Senise gravaram um álbum dedicado à obra de Ary Barroso. Batizado de “É luxo só”, o tributo reúne 14 composições do compositor mineiro e foi registrado em dois dias, 5 e 6 de outubro, no estúdio da gravadora Biscoito Fino, no Rio de Janeiro. O guitarrista Leo Amuedo também participa do disco.
O repertório inclui canções conhecidas como “Aquarela do Brasil”, de 1939, “Na Baixa do Sapateiro”, de 1938, e “Morena Boca de Ouro”, de 1941. A faixa que dá nome ao álbum foi escrita por Ary Barroso e Luiz Peixoto e chegou ao público em 1957. A seleção percorre momentos diferentes da obra do compositor, cuja produção teve grande presença na música brasileira entre as décadas de 1930 e 1950.
Outra composição escolhida foi “No rancho fundo”, criada em 1931. A música começou como um samba-canção e, ao longo do tempo, passou a circular também no repertório sertanejo. A letra de Lamartine Babo descreve um cenário rural e se combina com melodia de Ary Barroso. A história da canção ilustra como obras antigas podem atravessar gêneros e ganhar interpretações diferentes.
Bastos e Senise são instrumentistas cariocas que se dedicam a apresentar o repertório em arranjos próprios. O formato de duo, com piano e instrumentos de sopro, coloca a melodia e a conversa entre os músicos no centro do tributo. A participação de Amuedo acrescenta guitarra ao conjunto, sem alterar o foco declarado do projeto nas composições de Barroso.
O álbum recupera um catálogo que ajudou a formar a canção popular brasileira antes da Bossa Nova. A ligação posterior de Ary Barroso com músicos do movimento, como João Gilberto e Tom Jobim, também mostra que suas composições permaneceram abertas a novas leituras. “É luxo só” propõe mais uma homenagem instrumental a esse repertório.
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