Política

Congresso mais conservador deve trocar pauta trabalhista por segurança

Para o professor Jeferson Ramos dos Santos, segurança, custo de vida e valores dominaram as campanhas regionais. O fim da escala 6x1 pode demorar mais a ir a plenário.
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Redação Bastidor Brasil
Publicado em 8 de outubro de 2026 às 08:10 · 3 min de leitura
Congresso mais conservador deve trocar pauta trabalhista por segurança
Plenário da Câmara dos Deputados — Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

O Congresso eleito em 2026 deve mudar a ordem das prioridades legislativas, trocando o peso da pauta trabalhista pelo da segurança pública. A avaliação é do professor Jeferson Ramos dos Santos, em entrevista ao jornalismo da Rádio Nacional.

Segundo ele, as campanhas regionais priorizaram segurança pública, custo de vida, valores e família — temas que se consolidaram como dominantes nas regiões onde foram eleitos senadores, deputados estaduais e federais e governadores.

"Os temas foram bastante relevantes. É um recado muito claro do eleitorado, mas as temáticas não foram abordadas de forma adequada pelo governo federal", avaliou.

O que pode acontecer com o fim da escala 6x1

A pauta trabalhista mais discutida neste ano é o fim da escala 6x1, com votação prevista para esta semana, conforme confirmou o presidente do Senado, Davi Alcolumbre.

Mas, com a alteração expressiva na composição das duas Casas, o professor acredita que o ritmo de votação e o perfil das propostas tendem a mudar.

"O quadro político mudou sensivelmente. Geralmente, quando há incertezas, vemos nas casas legislativas uma postergação até que o quadro fique mais claro e os atores se posicionarem", disse. "Então, não acho incomum se o fim da 6x1 tomasse um pouquinho mais de tempo para ir a plenário."

O raciocínio tem lógica institucional. Parlamentar que não se reelegeu perde incentivo para desgastar-se em votação polêmica; parlamentar eleito ainda não tomou posse. Entre a eleição e a virada da legislatura, o Congresso costuma andar mais devagar em temas divisivos.

O STF não foi às urnas, mas será pauta

Para o analista, a recente crise no Supremo Tribunal Federal pesou menos na hora do voto do que a repercussão sugeria.

"Embora tenha sido uma temática relevante, que saiu na mídia e deixou a imagem do Supremo um pouco comprometida, o STF não vai às urnas. Por isso, o impacto eleitoral direto foi menor", afirmou.

Isso não significa que o assunto desapareça — ao contrário. Com a nova configuração de maioria conservadora no Senado, ele projeta que a Corte será alvo de discussões legislativas: "Nos próximos quatro anos, veremos o desenho institucional do Supremo sofrer algumas alterações, a extensão do poder individual de cada ministro e, eventualmente, até a limitação do mandato".

É o Senado que aprova a indicação de ministros e que examina propostas de emenda sobre a estrutura do Judiciário — daí o peso da mudança de composição.

A eleição mais apertada da história recente

Segundo resultados divulgados pelo TSE, Flávio Bolsonaro e Lula vão ao segundo turno com a menor diferença já registrada em um primeiro turno presidencial: cerca de 2,22 milhões de votos, ou 1,87 ponto percentual, em favor de Flávio.

Para o professor, o cenário segue aberto. "Temos 2% de diferença entre os candidatos e uma abstenção recorde. São algumas dezenas de milhões de eleitores que não se posicionaram. Então, a campanha está aberta e, a partir desta semana, uma nova eleição se coloca na praça."

O segundo turno será em 25 de outubro, para decidir quem comanda o país entre 2027 e 2030.

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