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Cerrado perdeu 13,9 milhões de hectares de mata às margens de rios

Dado do MapBiomas cobre 41 anos. Bacias do Alto Tocantins e do Araguaia respondem sozinhas por 41% da perda de vegetação até 500 metros dos cursos d'água.
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Redação Bastidor Brasil
Publicado em 8 de outubro de 2026 às 08:11 · 2 min de leitura
Cerrado perdeu 13,9 milhões de hectares de mata às margens de rios
Paisagem de Cerrado em unidade de conservação — Foto: Palê Zuppani/ICMbio/Agência Brasil

O Cerrado perdeu 13,9 milhões de hectares de vegetação nativa nas margens de rios em 41 anos. O dado é de um recorte do bioma divulgado nesta quinta-feira (8), parte da Coleção 11 do MapBiomas, que mapeia anualmente a cobertura e o uso da terra no Brasil.

Por que a mata na beira do rio importa

A vegetação próxima aos cursos d'água não é detalhe paisagístico — é infraestrutura natural.

"A vegetação próxima aos rios ajuda a proteger o solo, reduzir a erosão e evitar que sedimentos cheguem aos cursos d'água", explica Bárbara Costa, analista de pesquisa do IPAM e integrante da equipe Cerrado do MapBiomas.

Segundo ela, a redução dessa cobertura pode afetar a qualidade e a disponibilidade da água e deixar a paisagem mais vulnerável a eventos climáticos extremos, como secas e chuvas intensas.

O ponto é especialmente grave no Cerrado porque o bioma é o ponto de partida de boa parte da água do país: ali nascem seis grandes bacias hidrográficas.

Entre elas, a do Alto Tocantins foi a que mais perdeu vegetação nativa nas margens no período, com 2,9 milhões de hectares a menos. Na bacia do Araguaia, a perda chegou a 2,7 milhões. Juntas, as duas somam 41% de toda a redução registrada em até 500 metros dos rios.

O bioma inteiro perdeu metade

No período analisado, o Cerrado teve perda líquida de 51,7 milhões de hectares de vegetação nativa — redução de 34%. Mas, somada a destruição anterior a 1985, o bioma chegava a 2025 com 49,6% de perda acumulada: praticamente metade.

Por tipo de vegetação, a formação savânica foi a mais afetada, com perda de 41% (34 milhões de hectares). A formação florestal perdeu 25% (12,8 milhões) e a campestre, 39% (3,6 milhões).

O destino dessa área é conhecido: a agropecuária cresceu de 46,7 milhões para 97,9 milhões de hectares, ocupando 48,9% do que antes era Cerrado. Em 2025, a agricultura respondia por 29,7 milhões de hectares e a pecuária, por 53,9 milhões.

O mapa de quem ainda tem Cerrado em pé

Entre 1985 e 2025, cinco estados e o Distrito Federal deixaram de ter mais da metade do território coberto por vegetação nativa — Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Pará e Pernambuco —, juntando-se a São Paulo, que já começava a série com apenas 24,1% de Cerrado nativo.

Do outro lado, o Piauí mantém a maior proporção, com 78,2%, seguido de Rondônia (76,5%) e Maranhão (67,4%).

Todos os estados do Matopiba — Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia — mantiveram mais de 50% de vegetação nativa em sua porção do Cerrado em 2025, e reúnem entre si quase metade (47,7%) de toda a vegetação remanescente do bioma.

É um dado de duas leituras. Mostra onde ainda há o que proteger — e indica, ao mesmo tempo, onde a pressão de expansão agrícola deve se concentrar nos próximos anos, já que é ali que sobrou terra.

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