Ceagesp ergue estrutura provisória para 124 atingidos por incêndio

A Ceagesp vai construir uma estrutura provisória para os 124 comerciantes atingidos pelo incêndio que destruiu um dos pavilhões do entreposto, em São Paulo. O espaço terá 4,8 mil metros quadrados, um pouco menor que os 6 mil m² do original, e devolverá a eles um local centralizado para atendimento.
Como estão hoje
Desde o incêndio, os comerciantes atendem ao redor do pavilhão destruído, em tendas de lona — em condição que a própria administração classifica como insalubre, pela exposição ao calor e à chuva.
O arranjo improvisado também atrapalha quem está em volta: dificulta a circulação de caminhões e prejudica a exposição das lojas nos pavilhões vizinhos.
O impacto financeiro, segundo a comissão de comerciantes, é de aproximadamente 50% de queda nas vendas. Eles só voltarão a pagar taxas à administração quando o pavilhão definitivo for entregue.
O prazo pressiona: o período de maior movimentação de frutas no Ceagesp vai de novembro a fevereiro — ou seja, a alta temporada chega antes da solução.
O que se perdeu
O pavilhão destruído é um dos mais antigos do complexo, que reúne 52 deles. Era também um dos menores, mas uma referência: abrigava comerciantes com mais de quatro décadas de atuação, alguns dando continuidade ao trabalho de familiares instalados ali desde os anos 1960.
A demolição começou na semana passada. A retirada do entulho e a desmontagem das peças metálicas têm prazo de 60 dias.
No local se vê muito metal retorcido, das telhas de zinco e das estruturas — o pavilhão não era de alvenaria. Somam-se restos de alimentos ainda em retirada, como cocos, abacaxis e melancias, principais produtos comercializados no local, além de documentos das empresas, recolhidos aos poucos conforme a segurança da estrutura é garantida.
O que vem depois
Apesar da área menor, a expectativa é reorganizar melhor os boxes, com instalação de contêineres refrigerados e mais banheiros. A previsão é que os comerciantes usem a estrutura provisória até setembro de 2027, quando o novo pavilhão deve ficar pronto.
"A ideia é a gente construir uma estrutura mais moderna, com o pé-direito bem mais alto e mezanino. Estamos estudando um formato para dividir o que é boxe e o que é área de granel, além de elevar a área de comércio, com uma plataforma, para evitar o risco de perdas em novas inundações", explicou o diretor técnico operacional da Ceagesp, Luiz Silveira Rangel.
Ele acrescentou que o projeto será discutido antes com os próprios comerciantes, "que são os conhecedores de como funciona tudo no dia a dia".
O gargalo é o caminhão
O maior desafio cotidiano tem sido a logística de abastecimento. O projeto dos pavilhões é de décadas atrás, quando o padrão de caminhão era menor que o atual — e a redução de espaço só agravou a dificuldade.
Como a área destinada aos galpões provisórios era usada para estacionamento e transbordo, essas operações passaram a ocorrer em um dos bolsões de estacionamento, afastando escritórios do ponto em que as entregas efetivamente acontecem.
Para dezembro, a previsão é instalar um estacionamento provisório na área do pavilhão destruído, enquanto tramita a contratação da obra nova.
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