Carmen Miranda ganha cinebiografia de R$ 61 milhões com Lancellotti

Carmen Miranda vai ganhar uma cinebiografia dirigida por Esmir Filho, de *Homem com H*. Segundo informações da revista Variety, o filme se chamará Carmen e contará a história da estrela brasileira da Era de Ouro de Hollywood.
A produção foi anunciada durante o RioMarket, evento de negócios do Festival de Cinema do Rio, nesta quarta-feira (7).
Um dos maiores orçamentos do cinema brasileiro
Com R$ 61 milhões — cerca de US$ 20 milhões —, *Carmen* será uma das maiores produções da história do cinema nacional.
Segundo a produtora Tatiana Issa, 80% do orçamento já foi levantado por meio de incentivos fiscais.
Esse detalhe importa mais do que parece. Em produções desse porte no Brasil, o anúncio costuma vir antes do dinheiro; chegar ao mercado com quatro quintos do orçamento garantidos muda a conversa com distribuidores e parceiros internacionais, porque reduz o risco de o projeto travar no meio.
Giovanna Lancellotti interpretará Carmen Miranda e também assina como uma das produtoras do projeto. O roteiro é de Mariana Bardan e Eduardo Melo.
Dois idiomas, dois países
O filme será falado em português e inglês, com filmagens no Brasil e nos Estados Unidos a partir do segundo semestre de 2027.
A escolha acompanha a própria biografia da personagem. Carmen Miranda construiu carreira no rádio e no cinema brasileiros antes de se tornar, nos anos 1940, a artista sul-americana mais conhecida de Hollywood — e a tensão entre as duas identidades é parte central de sua história, incluindo a recepção fria que enfrentou ao voltar ao Brasil, acusada de ter se "americanizado".
Um filme bilíngue, rodado nos dois países, é a forma estrutural de contar isso.
Quando chega
Com distribuição da H2O Films, a previsão é que o longa chegue aos cinemas brasileiros no segundo semestre de 2028, com planos de lançamento também nos Estados Unidos, na Europa e na Ásia.
O calendário — anúncio em 2026, filmagem em 2027, estreia em 2028 — é típico de produção desse porte, em que captação, agenda de elenco e pós-produção consomem anos.
Para o cinema brasileiro, o projeto representa uma aposta em um formato que o mercado nacional pouco explora: a cinebiografia de grande orçamento com ambição de circulação internacional. O diretor vem justamente de *Homem com H*, cinebiografia de Ney Matogrosso — experiência direta no gênero que o estúdio aposta agora em escala maior.
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