Política

Câmara eleita é menos fragmentada, mas negociar pode não ficar fácil

Número efetivo de partidos cai de 10,7 para 8,83; o PL elegeu 121 deputados e concentra 23,6% da Casa.
Compartilhe:
Redação Bastidor Brasil
Publicado em 6 de outubro de 2026 às 18:20 · 2 min de leitura
Câmara eleita é menos fragmentada, mas negociar pode não ficar fácil
Foto: Marinelson Almeida - Traveling through Brazil from Niteroi, Brasil / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

A Câmara dos Deputados eleita em 2026 será menos fragmentada do que a anterior, mas o resultado pode não significar mais facilidade de negociação para o próximo presidente da República.

O pleito de domingo (4) consolidou a redução do número de forças partidárias com peso relevante na Casa, movimento atribuído por especialistas ao fim das coligações proporcionais, à criação da cláusula de desempenho e ao voto útil. Ao todo, 20 partidos terão representação na Câmara. Em 2018 foram 30 e, em 2022, 23.

O que pesa no cálculo do próximo governo é a concentração de poder no PL, que elegeu 121 deputados — o equivalente a 23,6% da Câmara. A federação PT/PCdoB/PV aparece em segundo lugar, com 88 deputados, seguida por União Brasil/PP, com 87, PSD, com 43, Republicanos, com 41, MDB, com 36, e Podemos, com 27. Por orientação ideológica, a composição eleita reúne 59% de deputados de direita, 24% de esquerda e 17% de centro.

O indicador técnico também caiu. O Número Efetivo de Partidos, que estima quantas siglas têm peso real na Casa, recuou de 10,7 para 8,83 — variação de 12%. O índice, proposto pelos cientistas políticos Markku Laakso e Rein Taagepera em 1979, dá pesos diferentes aos partidos conforme o tamanho da bancada, em vez de simplesmente contar quantos elegeram ao menos um deputado.

"O que a gente pode dizer é que o Legislativo brasileiro está diminuindo a fragmentação. A partir de 2027, vai haver uma quantidade de partidos menor", afirmou Lara Mesquita, professora da FGV.

Para o cientista político Elias Tavares, menos partidos não quer dizer negociação mais simples, porque as siglas maiores chegam à mesa com força para fazer oposição. "O poder começou a se concentrar novamente em menos forças políticas. Isso é resultado também das mudanças das regras eleitorais, como o fim das coligações proporcionais e, principalmente, a cláusula de desempenho e a criação das federações partidárias", explicou.

Segundo Luis Gustavo Teixeira, doutor em ciência política e professor da Unipampa, a queda da fragmentação aparece nos três níveis — Câmara, Senado e Congresso. No Senado, o PL elegeu 19 parlamentares e passará a ter 28 na Casa. Também houve encolhimento de bancadas influentes do centrão, como União Brasil e PP.

Os especialistas atribuem parte do movimento ao voto estratégico de eleitores que quiseram ampliar o capital político de seus representantes. Para o cientista político Fabio Andrade, da ESPM, o resultado se explica pela forte correlação entre os votos para a Câmara e para o Executivo neste ano.

Fontes consultadas
Compartilhar: WhatsApp Facebook X Telegram

Leia também

O resumo do dia, no seu e-mail

Uma mensagem por dia com o que importa. Sem spam, e dá pra sair quando quiser.

Este site usa cookies para medir audiência e exibir publicidade. Ao continuar, você concorda. Saiba mais.