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Brasileirão vira palco de protesto contra MP que proibiu as apostas

Placas à beira do campo exibem "Proibir não é proteger"; clubes discutem mensagens na camisa e já falaram em parar o campeonato
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Redação Bastidor Brasil
Publicado em 7 de outubro de 2026 às 21:29 · 2 min de leitura
Brasileirão vira palco de protesto contra MP que proibiu as apostas
Foto: Hendless/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

A proibição das apostas esportivas no Brasil chegou ao gramado. Desde o início de outubro, jogos do Campeonato Brasileiro passaram a exibir, nas placas de publicidade à beira do campo, mensagens contra a Medida Provisória 1.394/2026, editada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para acabar com o mercado legalizado de bets.

As frases escolhidas são "Proibir não é proteger", "A proibição não acaba com as apostas" e "Acaba com a proteção de quem aposta". Elas apareceram pela primeira vez nos jogos São Paulo x Santos, na sexta-feira (2), e Atlético-MG x Bragantino, no sábado (3), e voltaram a ser exibidas em partidas atrasadas da 21ª rodada. A expectativa é que a campanha continue na 29ª rodada, que começou nesta quarta-feira (7).

Quem está por trás

Os espaços nas placas foram cedidos por empresas ligadas à Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e ao Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), entidades que defendem a regulamentação do setor em vez da proibição. As mensagens fazem parte de um manifesto divulgado em 25 de setembro.

Para o presidente da ANJL, Plínio Lemos Jorge, "a manutenção de um ambiente regulado, com regras claras e segurança jurídica, é fundamental". O presidente do IBJR, Carlos Lima, defende "preservar a segurança jurídica necessária para que empresas, clubes e demais parceiros possam planejar investimentos".

Os clubes no meio da disputa

Os clubes, que dependem fortemente do patrocínio das casas de apostas, também se movimentam. Segundo o portal Metrópoles, há discussões sobre exibir mensagens nas camisas, mas nada foi decidido. Times patrocinados pela Superbet já entram em campo com a marca "Superscore" no lugar do nome da casa de apostas.

No fim de setembro, de acordo com o jornal O Estado de S. Paulo, dirigentes chegaram a discutir a possibilidade de paralisar o Brasileirão como forma de pressão. A principal reivindicação é um período de transição de pelo menos seis meses a um ano antes do fim da publicidade das bets.

Os argumentos do setor

As entidades afirmam que 31 milhões de pessoas usavam plataformas legais, segundo o Ministério da Fazenda, e que o mercado ilegal já representava 41% do volume apostado antes da proibição. Com a MP, dizem, esse percentual pode chegar a 100%. Uma estimativa da consultoria LCA citada pelo setor aponta até R$ 73 bilhões em arrecadação em risco entre 2027 e 2030.

O presidente Lula defende a proibição como forma de proteger a população do vício em apostas e do endividamento. Em evento de campanha no Rio, em 23 de setembro, ele chamou de "insensatez" o argumento de que o fim das bets mataria o futebol e afirmou que as casas de apostas financiam os clubes "com o dinheiro do pobre". "É o pobre que joga, é o pobre que fica doente", disse.

A MP tem força de lei desde a publicação, mas precisa ser aprovada pelo Congresso para não perder a validade.

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