Brasileirão vira palco de protesto contra MP que proibiu as apostas

A proibição das apostas esportivas no Brasil chegou ao gramado. Desde o início de outubro, jogos do Campeonato Brasileiro passaram a exibir, nas placas de publicidade à beira do campo, mensagens contra a Medida Provisória 1.394/2026, editada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para acabar com o mercado legalizado de bets.
As frases escolhidas são "Proibir não é proteger", "A proibição não acaba com as apostas" e "Acaba com a proteção de quem aposta". Elas apareceram pela primeira vez nos jogos São Paulo x Santos, na sexta-feira (2), e Atlético-MG x Bragantino, no sábado (3), e voltaram a ser exibidas em partidas atrasadas da 21ª rodada. A expectativa é que a campanha continue na 29ª rodada, que começou nesta quarta-feira (7).
Quem está por trás
Os espaços nas placas foram cedidos por empresas ligadas à Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e ao Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), entidades que defendem a regulamentação do setor em vez da proibição. As mensagens fazem parte de um manifesto divulgado em 25 de setembro.
Para o presidente da ANJL, Plínio Lemos Jorge, "a manutenção de um ambiente regulado, com regras claras e segurança jurídica, é fundamental". O presidente do IBJR, Carlos Lima, defende "preservar a segurança jurídica necessária para que empresas, clubes e demais parceiros possam planejar investimentos".
Os clubes no meio da disputa
Os clubes, que dependem fortemente do patrocínio das casas de apostas, também se movimentam. Segundo o portal Metrópoles, há discussões sobre exibir mensagens nas camisas, mas nada foi decidido. Times patrocinados pela Superbet já entram em campo com a marca "Superscore" no lugar do nome da casa de apostas.
No fim de setembro, de acordo com o jornal O Estado de S. Paulo, dirigentes chegaram a discutir a possibilidade de paralisar o Brasileirão como forma de pressão. A principal reivindicação é um período de transição de pelo menos seis meses a um ano antes do fim da publicidade das bets.
Os argumentos do setor
As entidades afirmam que 31 milhões de pessoas usavam plataformas legais, segundo o Ministério da Fazenda, e que o mercado ilegal já representava 41% do volume apostado antes da proibição. Com a MP, dizem, esse percentual pode chegar a 100%. Uma estimativa da consultoria LCA citada pelo setor aponta até R$ 73 bilhões em arrecadação em risco entre 2027 e 2030.
O presidente Lula defende a proibição como forma de proteger a população do vício em apostas e do endividamento. Em evento de campanha no Rio, em 23 de setembro, ele chamou de "insensatez" o argumento de que o fim das bets mataria o futebol e afirmou que as casas de apostas financiam os clubes "com o dinheiro do pobre". "É o pobre que joga, é o pobre que fica doente", disse.
A MP tem força de lei desde a publicação, mas precisa ser aprovada pelo Congresso para não perder a validade.
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