Brasil lidera Open das Américas de halterofilismo com sete ouros

O Brasil lidera o Open das Américas de halterofilismo paralímpico, no México, com sete medalhas de ouro. O desempenho de terça-feira (6) foi decisivo para a disparada na ponta do quadro: foram quatro ouros e três dobradinhas — quando dois atletas do mesmo país sobem juntos ao pódio.
Recorde continental e três dobradinhas
A paulista Mariana D'Andrea, atual bicampeã paralímpica, confirmou o favoritismo entre as atletas até 73 quilos e estabeleceu o novo recorde das Américas da categoria, erguendo 146 kg — um quilo a mais que a própria marca de 2024. A mineira Caroline Fernandes ficou com a prata, com 119 kg.
"O meu treinador sempre fala que é difícil chegar ao topo, mas o mais difícil é se manter, porque a gente vira alvo de todo mundo", disse Mariana, que tem nanismo, em entrevista à TV Brasil antes do embarque para o México. "Então, a gente tem que estar bem disciplinada, que isso faz diferença na hora de buscar uma medalha. E quando você sente o gosto do ouro, de ser uma campeã paralímpica, isso te motiva a querer mais e manter seu espaço."
Na categoria até 80 kg, o ouro foi de Ailton de Souza. O paraibano, que teve paralisia infantil após um erro médico no nascimento, levantou 201 kg e abriu boa vantagem sobre o equatoriano Sebastian Ayala (166 kg) e o mexicano Jairo Santiago (161 kg).
Medalhista de bronze na Paralimpíada de Paris em 2024 entre as atletas até 67 kg, Maria de Fátima Castro passou a competir até 79 kg neste ciclo. A amazonense venceu na nova categoria com 135 kg, quatro a mais que a brasiliense Gabrielle Lima, segunda colocada — mais uma dobradinha.
O Brasil repetiu a parceria ouro-prata na antiga categoria de Maria de Fátima: a paulista Laira Guimarães assegurou o primeiro lugar com 109 kg, superando a paraense Naira Cruz, com 106 kg. Ambas competiam até 61 kg e mudaram de peso neste ciclo.
Os dias anteriores
Na segunda-feira (5), a potiguar Maria Rizonaide da Silva conquistou o ouro na categoria até 50 kg. A gaúcha Ana Paula Marques, até 61 kg, e a mineira Cristiane Reis, até 55 kg, levaram o bronze. O rondoniense Kauê Motta, estreante em torneios internacionais após trocar o fisiculturismo pelo halterofilismo, ficou em quarto lugar entre os competidores até 65 kg, a um quilo do pódio.
A participação brasileira começou no domingo (4), com quatro medalhas: os mineiros Marco Túlio Cruz, até 49 kg, e Lara Lima, até 45 kg, foram ouro; o potiguar João Maria França, até 59 kg, ficou com a prata; e a paulista Brenda Pepe, até 41 kg, com o bronze.
O que está em jogo até Los Angeles
O Open das Américas é uma das competições obrigatórias para atletas do continente que buscam vaga nos Jogos Paralímpicos de Los Angeles, em 2028.
No ano que vem, os Jogos Parapan-Americanos de Lima, no Peru, e o Campeonato Mundial da Cidade do México serão os dois eventos necessários para cumprir a exigência da World Para Powerlifting, braço do Comitê Paralímpico Internacional que cuida da modalidade.
Já em 2028, quando o ranking fecha, os atletas devem participar de pelo menos duas etapas da Copa do Mundo de halterofilismo. Classificam-se à Paralimpíada os oito melhores de cada categoria de peso que tenham cumprido os requisitos da entidade.
Na prática, isso significa que resultados como os desta semana não valem apenas pela medalha: eles compõem um ranking de três anos, e a ausência em uma das competições obrigatórias pode custar a vaga mesmo a um atleta com boas marcas.
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