Política

Bancada evangélica encolhe de 96 para 51 reeleitos, aponta levantamento da FGV

Pesquisador identifica retração sobretudo entre parlamentares não alinhados ao bolsonarismo. Números são preliminares e ainda não contam novos eleitos.
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Redação Bastidor Brasil
Publicado em 13 de outubro de 2026 às 22:51 · 2 min de leitura
Bancada evangélica encolhe de 96 para 51 reeleitos, aponta levantamento da FGV
Arte Bastidor Brasil

Levantamento preliminar de um historiador da Fundação Getulio Vargas aponta uma queda expressiva na representação evangélica no Congresso Nacional. Segundo o pesquisador Galvão Lopes, o número de parlamentares evangélicos reeleitos passou de 96, em 2022, para 51 no pleito deste ano.

A trajetória é de retração há dois ciclos. Em 2018, o grupo chegou a reunir cerca de 120 deputados e senadores. Em 2022 o número já havia caído, e os resultados mais recentes reforçam a tendência.

O que o número ainda não inclui

O próprio autor faz a ressalva, e ela é importante para não ler o dado como definitivo: os 51 são apenas os reeleitos. Falta contabilizar os parlamentares que entram pela primeira vez e aqueles que voltam ao Congresso depois de períodos fora de mandato. A composição final da bancada, portanto, ainda não está fechada.

Mesmo com essa ressalva, a avaliação do pesquisador é de que houve redução relevante — e que ela se concentra num grupo específico.

A hipótese: as bandeiras mudaram de dono

A explicação central oferecida no estudo não é religiosa, é política. Segundo Galvão Lopes, a extrema direita se apropriou de pautas que, por décadas, deram identidade à atuação de parlamentares evangélicos.

Com projeção eleitoral maior, candidatos ligados ao bolsonarismo passaram a disputar o mesmo eleitorado com as mesmas bandeiras — e a retração teria sido mais forte justamente entre os evangélicos que não estavam integralmente vinculados a esse campo.

O efeito descrito é de fragmentação: a bancada não desaparece, mas perde homogeneidade e deixa de operar como bloco com agenda própria.

O que observar daqui para frente

Com a composição ainda incompleta, o teste prático virá nas primeiras votações de pauta de costumes da nova legislatura. É aí que se verá se a redução no número de reeleitos significa perda real de força ou apenas troca de nomes dentro do mesmo campo.

Fontes consultadas
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