Política

A parte baiana do caso: o que a delação diz sobre Jaques Wagner e o que os documentos não mostram

Vorcaro relatou mesadas de R$ 3 milhões a um grupo ligado ao senador. Os documentos confirmam o contrato, mas não apontam o parlamentar como beneficiário.
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Redação Bastidor Brasil
Publicado em 9 de outubro de 2026 às 15:30 · 2 min de leitura
A parte baiana do caso: o que a delação diz sobre Jaques Wagner e o que os documentos não mostram
Foto: Eurico Zimbres / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.5)

Antes do episódio do documentário, a proposta de delação rejeitada de Daniel Vorcaro já havia produzido outro capítulo: as alegações sobre um grupo político ligado ao senador Jaques Wagner (PT-BA) na Bahia.

Segundo os relatos divulgados, o esquema somaria cerca de R$ 3 milhões por mês. A maior parte, aproximadamente R$ 2 milhões, sairia de um contrato entre o Banco Master e a empresa PKL One, lançados como "despesas operacionais". O restante, R$ 1 milhão mensal, seria entregue em espécie. Nessa descrição, os valores em dinheiro vivo passariam pelas empresas Blue Pay e The Pay e chegariam ao motorista de Vorcaro, que os repassaria a Guilherme Sodré, apontado como operador, ou a Augusto Lima, então sócio e executivo do banco. Os pagamentos teriam seguido até a liquidação do Banco Master, em novembro de 2025.

O que os documentos confirmam, e até onde

Aqui está a distinção que a cobertura precisa deixar clara, porque ela é a diferença entre indício e prova.

Os documentos confirmam que o contrato entre o Banco Master e a PKL One existiu, com pagamentos mensais de cerca de R$ 2 milhões. Confirmam também que Sodré teve 22,45% do fundo Gardênia, que detinha participação indireta na PKL One até o fim de 2018.

O que os documentos não mostram é igualmente relevante: eles não identificam Jaques Wagner nem qualquer outro político como beneficiário, não demonstram que Sodré representasse o senador e não registram entrega de dinheiro em espécie ao parlamentar. O relato também não atribui a Wagner um ato concreto em troca dos valores.

Há ainda um detalhe sobre a origem da informação. O próprio Vorcaro afirma ter sabido do suposto acordo por meio de Augusto Lima e diz não ter presenciado a negociação. Lima nega ter feito esse relato.

A resposta do senador

A defesa de Jaques Wagner classificou as declarações como falsas, afirmou tratar-se de tentativa de interferir nas eleições e negou relação com a PKL One ou com contratos fictícios. O senador afirma que sua relação era com Augusto Lima e que esteve com Vorcaro apenas duas vezes.

A PGR recusou o acordo por considerar que os relatos não vinham com elementos suficientes para corroborá-los.

Fontes consultadas
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